Vizela e o fato novo

Jorge Coelho

2018-05-03

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Nos casamentos, há pessoas que usam sempre a mesma roupa. Compraram-na porque tinha de ser e, pensando que ninguém nota, dão-lhe uso apenas quando surge a necessidade. 
O problema é que realmente se nota. Há sempre alguém que se lembra de ter visto aquela pessoa, em ocasiões semelhantes, vestida daquela forma. Está criada uma imagem nada positiva, por culpa própria. 
Mas os constrangimentos não ficam por aqui. Se por um lado, cheirando a roupa a naftalina ou a mofo, com uma ou duas lavagens esses odores tendem a desaparecer, nas fotografias já não é bem assim. Aquela roupa há-de estar visível em todos os registos fotográficos, de todos os casamentos, nos quais esteve presente. Portanto, essas fotografias nunca hão-de ser expostas nas prateleiras lá de casa. 
Isto pode acontecer por diferentes razões. Talvez por falta de gosto, desleixo, avareza ou uma mistura das três. No caso dos homens, é de um fato que se trata. Casaco e calças, nunca importando os quilos a mais ou a menos. Há sempre forma de caber lá dentro, quase bem ou irremediavelmente mal. 
Transpondo-se esta situação para o Município de Vizela, mais concretamente para a estreita relação entre comunicação e turismo, será fácil perceber-se a analogia. 
Vizela comprou um fato novo! E que bem que lhe fica… 
Isto é, no passado mês de Fevereiro foi apresentada pela Câmara Municipal a Marca Vizela, a imagem que pretende ser identificativa de um território e de um povo.  Mas já antes desse momento e após o actual executivo ter entrado em funções, foram-se gradualmente notando melhorias em termos de comunicação. Pouco mais de dois meses depois da referida apresentação, é notória a evolução. Vê-se, ouve-se e tem-se a possibilidade de se conhecer melhor Vizela. 
Da passividade, do insuficiente e da falta de criatividade, passou-se para uma situação coerente para com os actuais padrões de produção e consumo no que à comunicação diz respeito. Embora, exista o que há-de existir sempre, pormenores a corrigir ou situações a optimizar. 
E Vizela já começou a tentar fazer-se notar. Ao tal “fato novo” até foi juntando diferentes “acessórios” para o tornar ainda mais “vistoso”. Na realidade, diversos eventos que se diferenciam uns dos outros e que, em certa medida, ajudam a projectar o concelho. De contas saberá quem as gere. Contudo, pelo que se denota, importa referir que de facto parece estarem a ser devidamente potenciados e valorizados recursos próprios, humanos e logísticos. 
Relativamente ao turismo, promover, comunicar e divulgar é importante. Fazê-lo bem é imperativo, pois disso depende o posicionamento competitivo dos produtos e destinos turísticos, face a uma concorrência cada vez mais inteligente e dinâmica e um mercado cada vez mais conhecedor, selectivo e exigente. Isto vale para entidades públicas e 
 e privadas. 
Em termos de promoção turística, Vizela ainda comunica muito para dentro, para o seu próprio território, que neste âmbito pode até ser alargado a concelhos vizinhos. 
O alcance da promoção turística da cidade e do concelho é ainda muito reduzido. Provavelmente será prova do pouco ou nenhum esforço de quem tinha ou ainda tem responsabilidades nesta matéria, naturalmente com influência na percepção sobre a qualidade. Note-se, qualidade associada ao trabalho produzido e por inerência ao destino turístico. 
Basta ver que a página “Vizela Turismo” no Facebook tem pouco mais de 1.300 “gostos”. Para quem utiliza aquela rede social, sabe que é muito pouco. Tem também um histórico com demasiadas publicações cujos conteúdos são praticamente irrelevantes, tendo em conta aquilo que mais importa, suscitar a curiosidade e o interesse do mercado. Ontem, tendo a importância que têm as redes sociais, já seria fundamental uma adequada utilização das mesmas. Hoje, mais ainda. 
Sobretudo para uma cidade, para um concelho que agora procura um posicionamento mais competitivo, são evidências pouco simpáticas. É sinal de que algo estava ou estará errado e mais exemplos poderiam ser aqui referidos. Talvez o actual executivo tenha herdado este constrangimento e o tenha entendido como mais um desafio a superar. Tudo indica que sim. 
Fato novo comprado, há que o mostrar, utilizar e, se necessário, renovar.  Falta de gosto e naftalina são coisas do passado. Felizmente, pelo que se vê, Vizela já pode colocar várias fotografias “nas prateleiras lá de casa”.