Vizela a viver verão de S. Martinho

Manuel Marques

2019-11-07

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Aqueles que como eu já começam a ter mais recordações de vida do que projetos futuros devem recordar quanto custou em 1984, estava a luta de Vizela pelo seu concelho na rua com carris levantados, forcas ao alto, carros do lixo e dos CTT retidos, etc e tal (com uns a lutar como gladiadores e outros sentados à sombra à espera dos lugares), dos vizelenses terem de ir pedir a chave do Estádio Municipal de Guimarães (apesar de também ser legitimamente nosso) para o FC Vizela poder treinar e receber na primeira jornada do Campeonato Nacional da I Divisão 1984/1985, o Benfica e por aí adiante. Isto porque não havia relva em Vizela.
As peripécias foram algumas desde torneiras dos balneários fechados a ter se saltar o muro para treinar, mas a coisa lá chegou ao fim na terra de D. Afonso, o tal que prendeu a mãe num cadeado, com o FC Vizela a segurar jornada a jornada na lanterna vermelha até voltar à 2ª Divisão e ao pelado e esganiçado Campo Agostinho de Lima, reduto de jogo que era assim estreito, pequeno e magrinho como éramos todos nós naquele tempo em que tínhamos mais apetite do que jantares.
Muitos anos depois, a pedido do grande presidente e amigo de coração Eduardo Guimarães, tocou-me a mim representar o FC Vizela em Lisboa, na sede da FPF, no sorteio 2014/2015 da Taça de Portugal. A bola do Sporting saiu ao FC Vizela o que me deixou muito emocionado pela felicidade do meu clube de sempre ter o privilegio de receber um “grande”.
Mas, considerando novamente as nossas carências, lá tivemos de pegar no chapéu e ir bater à porta de um vizinho, que foi bem simpático diga-se, para nos deixar receber os “leões” em sua casa porque não tínhamos lampiões (passe a expressão). Maldita miséria. Alguns anos depois, graças à SAD liderada pelo incansável e atento presidente Diogo Godinho, sempre bem acompanhado por Gonçalo Moreira e restante staff, que dotou o estádio (e campos anexos para os putos) de eficientes condições, pela primeira vez o FC Vizela  vai poder receber um clube da I Liga no seu estádio, na sua terra, com relva, água, luz e saborosas bifanas (e uma equipa de luxo como disse o encarnado Luisão) uma partida com um dos três grandes, transmitida pela RTP Internacional para todo o mundo (Catalunha incluída) não vá algum emigrante vizelense ficar sem ver a bola. Só por isto o investidor Edmund Shu já merecia o reconhecimento municipal neste verão de S. Martinho pelo qual o Vizela passa agora (para quem não saiba, o Vizela recebe no domingo anterior ao jogo com o SLB, o S. Martinho para o campeonato, convém lá ir também puxar pela equipa...) Dirão que Edmund é um empresário que procura rentabilizar os investimentos no futebol. E?  As empresas, sejam quais forem, não são para isso mesmo? Se não derem lucro o Fisco manda fechá-las. A correr.
De resto ao longo destes 21 anos de municipalismo a Câmara distinguiu diversos empresários vizelenses, naturalmente, porque rentabilizaram as suas empresas e daí saíram todos a ganhar.
Só os burros (e há alguns) não percebem isto.
Tremei Águias!!!