Uma Evasão das Promessas Eleitorais: um Auditório no Cine Parque

Eugénio Silva

2018-11-08

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Decorrido que está o primeiro ano de mandato do atual executivo municipal, já se lhe pode aferir o modus operandi. Utiliza os meios de comunicação social, particularmente o seu líder, para, longe do debate democrático, anunciar, em catadupa, inícios de obras (apenas datas), desprovidas de projetos e estudos fundamentais para licenciarem a sua execução, a exemplo da nova ponte sobre o Vizela. Pensam os seus responsáveis que ainda se encontram em campanha eleitoral, na qual, com muita leviandade, sem nenhum sentido de senso e responsabilidade, tudo prometeram, gabando-se que, enquanto os seus adversários (reportando-se ao PS e à coligação de direita, agora no papel de muleta do atual executivo) iriam estudar e elaborar, conscientemente, dossiês destinados ao desenvolvimento sustentado de Vizela, eles, rapidamente, executariam obra. 
Servem-se, ainda, da imprensa para, pomposamente, verterem contínuos anúncios de datas de inaugurações que, paulatinamente e sem qualquer pudor, acabam por ser adiadas e remarcadas. Como exemplo paradigmático, apresentam-se as badaladas “inaugurações” do Balneário Termal, contínua e mensalmente anunciadas, ao longo de todo este ano, quer pelo executivo municipal quer pelo grupo Tesal, esperando-se que, conforme a última promessa, acabe de vez “inaugurado” até ao próximo dia 18 deste mês. Novo adiamento concorrerá, seriamente, para que esta(s) obra(s), se  venha a converter emulativa das famigeradas  “obras de Santa Engrácia” e, pior ainda, num novo alvo da chacota nacional.
Através deste modus operandi municipal, que privilegia a comunicação social para profetizar intenções de futuras obras, ficamos a conhecer mais algumas particularidades do propósito municipal na reconversão do caduco Cine Parque em Auditório Municipal. Deste anúncio, sobressaem, desde já, abundantes contradições, muitas dúvidas e algumas certezas. Do interior das muitas contradições, dúvidas e incertezas, destacam-se:
- Ainda se estuda se o auditório prometido irá encolher dos 500 lugares de capacidade para uns 350 ou 300 lugares. Ver-se-á, pois ainda se estuda se irá ou não ter um balcão;
- O projeto, no interior da Câmara Municipal, ainda avalia os custos, mas já consta do Orçamento para 2019;
- Apesar da reconversão já estar orçamentada a sua execução ver-se-á. Tanto poderá ocorrer no próximo ano, em 2020 ou 2021. Ver-se-á, pois o município almeja um suposto financiamento vindo de um qualquer Quadro Comunitário ou através da Administração Central. Ver-se-á.  
- Eliminar-se-ão os problemas de acústica e insonorização do auditório originados pelo intenso tráfego automóvel que utiliza a EN 106? Onde se construirá um parque de estacionamento de apoio? Aquando uma previsível e forte afluência de espetadores e de tráfego auto ao reconvertido Cine Parque, como garantirá o município a segurança de pessoas e bens, demais a mais quando, agora, pretende reintroduzir o trânsito nos dois sentidos da rua Dr. Abílio Torres?
Creio que os responsáveis pela gestão municipal jamais abandonarão a má ideia de se reconverter o velho Cine Parque em Auditório Municipal. Nestas circunstâncias, a execução desta obra pouco ou nada alterará a minha postura crítica, nem nunca me diminuirá qualquer tipo de espaço político. Basta ser livre para lhes reafirmar três indubitáveis certezas:
- A reconversão do Cine Parque jamais se transmutará em moderno e confortável auditório, capaz de propiciar a montagem e a realização de espetáculos de elevada qualidade (há muito afastados de Vizela) - ópera, ballet, teatro e concertos musicais;
- Desperdiçam a oportunidade de Vizela se ver livre de um caduco e inestético edifício e a criação de uma entrada nobre para o renovado balneário termal através da rua dr. Abílio Torres, ao isentar o grupo Tesal dessa obrigação contratualizada; 
- E essa mudança de última hora apenas lhes serviu de pretexto, um hábil ardil político, para dissimular o incumprimento de uma das muitas promessas eleitorais. Não nos prometeram um Auditório Municipal a construir de raiz no espaço devoluto das antigas Sedas Vizela?

PS – A partir desta data e por tempo indeterminado, ocupar-me-ei apenas de assuntos e questões de carácter cultural e histórico.