Todos à procura do mesmo

Zélia Fernandes

2018-11-22

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22 Novembro 2018


Confesso que Rui Amorim, treinador da formação Sénior do FC Vizela, me está a surpreender pela positiva, por motivos que explicarei mais à frente. Com a vinda da FC Vizela – Futebol SAD e com a imposição de algumas regras e distâncias, entre equipa/adeptos/ Imprensa, foi notória alguma crispação, entre todas as partes. Os novos dirigentes pugnaram desde a sua chegada pelo resguardar, ou quase esconder o grupo de trabalho, que se fechava dentro de si próprio. Era algo que faziam, estou certa, com a melhor das intenções, com o receio de que os jogadores fossem desassossegados e desconcentrados, na sua difícil missão de levar este clube à II Liga, no ano em que comemora 80 anos de existência. Oito décadas de muita história, com altos e baixos, mas, sobretudo, ao longo de cada um destes anos, sempre acompanhado por associados e adeptos, que nos melhores e piores momentos, nunca regatearam a paixão pelo clube mais representativo de Vizela, o nosso vizelinha, como dizem com carinho. Julgo que aos poucos, a crispação e a distância têm sido atenuadas, talvez porque toda a gente se deu conta, que todos correm pelo mesmo objetivo, que é ver o FC Vizela nos campeonatos profissionais de futebol. Os últimos treinadores têm sido preponderantes para este unir de forças, começou com Carlos Cunha, treinador que falhou a subida, mas que teve um papel importante na união dos adeptos, que fazia questão de destacar a cada Conferência de Imprensa. Voltando ao nome por quem comecei esta crónica, Rui Amorim, mostrou na sua apresentação no clube, que também queria manter o seu grupo de trabalho longe de olhares curiosos e focado no trabalho do dia a dia. Aos poucos, o treinador foi-se soltando, talvez contagiado pela paixão dos adeptos, sendo agora o maior aglutinador da massa adepta à volta da sua equipa. Já pediu, entre outras coisas, um lugar mais central para a Força Azul dentro do Estádio, já pediu um autocarro para o transporte de adeptos e faz pedidos constantes aos seus jogadores, para que interajam com os adeptos, na distribuição de cachecóis, camisolas ou nos simples cumprimentos, para agradecer o seu apoio. Com 12 jornadas disputadas, julgo que esta simbiose tem sido reforçada a cada semana, os jogos são dias de festas para todos, principalmente para os adeptos. Adeptos estes que gostam de ler e ouvir notícias dos seus atletas de eleição de conhecê-los um pouco melhor, para além da vertente futebolística, o que quer dizer que todos podem fazer o seu trabalho, até porque estão todos à procura do mesmo, a subida do FC Vizela. A procissão ainda vai no adro, mas caminha com passos seguros, num caminho bem traçado e por quem sabe o que anda a fazer. 2- Para além do futebol, o atletismo é uma das modalidades com mais tradição em Vizela, terra que já fez crescer campeões, como Marisa Barros, Dulce Félix, Salomé Rocha ou Catarina Ribeiro. E o grande mestre da modalidade em Vizela é Joaquim Santos, cuja história de vida lhe damos a conhecer nesta edição do RVJornal. Um verdadeiro caça talentos na modalidade, Joaquim Santos começa a perspetivar os seus campeões, nos Corta Mato Escolares, que costuma acompanhar e onde faz as captações para os seus clubes. Já passou por alguns e atualmente está no FC Vizela, onde diz ter “orgulho” de trabalhar com o seu filho, Rui Ferreira, um dos melhores treinadores nacionais da atualidade. Para além de ser pai de Rui Ferreira, julgo que lhe assenta bem o nome do pai do atletismo em Vizela, modalidade que tanto deve a este treinador.