Terras de Santa Maria

Domingos Pedrosa

2017-06-08

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O nosso povo aceitou, sem mais, o nome de Fátima, onde em 1917 a Virgem teria aparecido aos três pastorinhos, mas a história do nome daquele local, tem uma estranha origem, que me permito contar. Ora bem, Fátima era a filha dilecta de Maomé (o Profeta a quem Alá mandou um anjo e lhe ditou o que hoje os seus seguidores cumprem à risca: fazer explodir bombas em qualquer parte do mundo; conduzir pesados camiões que galgam passeios para atropelar e matar quem calhar -muitas vezes crianças; assassínios à facada e metralhada; desviar aviões, espatifando-os cheios de gente; suicidas mandam inocentes para hospitais e cemitérios, enquanto eles voam para o céu com as mãos protegendo os órgãos genitais, já que setenta virgens esperam por eles. E os irmãos na fé que ficam cá em baixo, mortinhos por um mesmo bacanal, logo se preparam para liquidar mais infiéis) e da sua primeira mulher Al-Zahara, fundadora de uma seita, os xiitas, ainda hoje em guerra com os sunitas. Estes religiosos sempre gostaram de guerras; pensam eles que será o melhor caminho, e às vezes mais rápido, para irem para o céu. Se matam para impor ou propagar a fé, um dia irão para lá, mas se morrerem ao tentar, vão logo, o que será melhor.
Só mais isto ainda, ligado à origem do nome da localidade de Fátima, segundo o historiador José Hermano Saraiva. Lá - diz ele - misturaram-se raças, juntaram-se religiões, e nasceu esta lenda: A jovem Fátima ao baptizar-se, quis trocar o nome pelo de Oriana, de onde provém o nome da vizinha Ourém.
E vamos a algumas razões de sermos terras de Santa Maria. Foi assim que os Cruzados designaram Portugal quando passaram por aqui, permitindo-nos por isso dizer, que a devoção à Virgem é muito antiga, e um grande contexto de aparições confirma-a. Em 1217 - Portugal tinha nascido há pouco - um frade dominicano vira brilhar no cume da serra de Montejunto, uma Virgem com o menino nos braços; em 1598, durante uma grande peste que assolou Setúbal, os habitantes prometeram que, se a Virgem os salvasse, edificariam um templo em seu nome, a ser construído com pedras acarretadas pelas filhas, virgens, dos pescadores; no século XVIII na serra de Aire, uma aparição da Virgem dera origem à romaria da Senhora da Ortiga; em 1882, os absolutistas foram reanimados pelo aparecimento de uma Virgem perto de Carnaxide, um milagre que multiplicou a religiosidade da rainha Carlota Joaquina e, não muto longe de Fátima, houve ainda a aparição da Senhora da Ladeira. Disse a vidente que num estado de êxtase, viu o céu e que ficou maravilhada com tantos anjinhos. Todos loiros. Uns com asas, outros sem asas, e alguns só com uma asa, mas, todos com um número nas costas (não fosse fugir algum, voar cá para fora!).
Estas aparições dão razão aos Cruzados: Portugal é terra de Santa Maria, mas também de crentes e de políticos fervorosamente crentes. Outra coisa não se pode dizer depois da atitude de Salazar, e das exclamações de alguns políticos, bem frescas ainda, na memória dos portugueses. Sabe-se que Salazar - embora à distância - olhou com benevolência as aparições de Fátima, e sabe-se ainda que gostou do recado divino da irmã Lúcia. Numa carta que lhe enviou - estava a meio, a Segunda Guerra Mundial - dizia-lhe que Deus tinha conversado com ela e que lhe teria dito que só ele, Salazar, salvaria Portugal do flagelo que assolava o mundo. (Há poucos dias, numa entrevista na televisão, um político de nomeada, fez referência a esta carta). E as exclamações carregadinhas de fé, dos políticos, são estas: Paulo Portas: “Nossa Senhora ajudou a salvar Portugal da maré negra do petroleiro ‘Prestige’”; Assunção Cristas: “Sou uma pessoa de fé, e esperarei que chova”; Cavaco Silva: “A sétima avaliação da troika é inspiração de Nossa Senhora de Fátima”; Teodora Cardoso: “Défice, foi um milagre”; e Marcelo Rebelo de Sousa: “Milagre só o de Fátima”.
Contas feitas, fé é o que não falta em Portugal. Fé católica e mariana, que depois não poderá “colar” com o comportamento de certos católicos e políticos. (Duarte Lima era meio-sacristão, e viu-se - mas isto é outro assunto). É a partir da Reforma (século XVI) que o culto mariano ficou ligado à Igreja Católica, coisa que o novo ateísmo contesta, como se lê nos livros de eminentes escritores, que o adoptaram. São escritos que quase ofendem a religiosidade popular dos católicos. Custa a quem foi educado na religião católica, lê-los, mas também custa a qualquer católico que não esteja encharcado de fanatismo, ver em Fátima os pagadores de promessas, rastejar ou a sangrar dos joelhos, na convicção de que tal acto agrada a Deus ou à Virgem, isso não é, nem pode ser verdade, apenas dá azo às fundadas censuras de protestantes e ateus.