Terapia da Fala: A Reabilitação pós-AVC

Ana Luísa Ribeiro e Patrícia Fernandes

2018-05-10

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O Acidente Vascular Cerebral (AVC) caracteriza-se pelo aparecimento súbito de défices neurológicos causados por uma interrupção na corrente sanguínea. Esta lesão pode ser isquémica ou hemorrágica, dependendo se há bloqueio da corrente sanguínea ou uma hemorragia numa área cerebral.
Um AVC pode ocorrer independentemente da idade, mas existem fatores que aumentam a taxa de ocorrência desta lesão, tais como, hipertensão, diabetes, colesterol, obesidade, sedentarismo, alterações cardíacas, consumo excessivo de álcool e hábitos tabágicos.

Existem alguns sinais indicadores do início do AVC que podem surgir de forma isolada ou serem concomitantes. A assimetria facial, a falta de força num dos lados do corpo, a fala de difícil compreensão, a perda súbita de visão e a dor de cabeça intensa são sinais que indicam que deve solicitar a emergência médica. As consequências do AVC, assim como a sua gravidade dependem não só da área cerebral afetada, bem como da sua extensão e do tempo de resposta ao acontecimento. Os principais défices após esta lesão ocorrem ao nível das componentes motora e sensorial, cognitiva, emocional e na comunicação. 
As áreas de intervenção do Terapeuta da Fala após a ocorrência do AVC são a fala, deglutição, comunicação e linguagem. 

Quando esta lesão afeta a força dos músculos da face e, consequentemente, a articulação correta das palavras, bem como, o ritmo de fala denomina-se por disartria. Já quando existe dificuldade na programação dos movimentos necessários para a produção de fala ou para os movimentos orofaciais designa-se por apraxia. Quando a movimentação do bolo alimentar desde a cavidade oral até ao estômago se encontra comprometida, estamos perante um quadro de disfagia. O compromisso ao nível da comunicação/linguagem designa-se por afasia e pode afetar a capacidade de falar, compreender, ler ou escrever. 
A afasia é uma das sequelas mais incapacitantes do AVC, condiciona a vida profissional, social e económica, podendo ainda gerar alterações emocionais pelas dificuldades comunicativas inerentes. Neste âmbito, o Terapeuta da Fala tem como principal objetivo melhorar a funcionalidade comunicativa, permitindo que a pessoa se expresse, ainda que por vezes, tenha de recorrer a formas de comunicação alternativa (gestos, símbolos).

Na próxima crónica iremos aprofundar outra das sequelas do AVC, a disfagia, e qual o papel do Terapeuta da Fala na reabilitação da mesma.