Tarouca num triângulo com a Senhora da Lapa e Vizela

Pedro Marques

2018-05-17

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Já trouxemos até junto de si, prezado leitor que nos  acompanha, um tema sobre o “Encontro Regional de Autores”, da iniciativa da Câmara Municipal de Tarouca, terra alto-beirã e muito ligada ainda ao Douro Vinhateiro. Um pacato concelho a fazer fronteira com Lamego, Castro Daire, Armamar e Moimenta da Beira e Vila Nova de Paiva e não distante de um outro concelho – o de Sernancelhe  -  cerca de uns 40Kms. Se até Tarouca o trajecto, por auto-estrada se faz em cerca de uma hora e 20, até à Senhora da Lapa, passa um bocadinho das duas horas e 30 gastas no percurso.
Como dissemos, para nós, Tarouca era uma terra distante. Mas do longe passou a fazer-se perto. Por várias razões: porque é um concelho de  que ficamos a gostar muito a partir do momento em que nos foi possível penetrar na sua alma telúrica, antropológica   e  genealógica; entendendo-se aqui a genealogia em relação às origens do nosso País actual e começado com D. Afonso Henriques e família real afim dos títulos nobiliárquicos dos condes de Tarouca. Aos condes de Távora, a monografia de Tarouca faz também referência.
Como a primeira visita não nos bastou, fizemos uma segunda visita a Tarouca, em 26 de Abril passado, na qual nos foi possível um contacto mais profundo e alargado com a terra e as suas gentes, costumes e tradições. Numa visita, ainda que rápida às suas freguesias das quais, em termos antropológicos a que mais nos cativou foi Várzea da Serra.
Não vamos estar aqui a desenvolver os porquês  desta simpatia singular. Deixamos essa curiosidade ao leitor amigo, sobretudo se é dos que visita, com regularidade a Senhora da Lapa. Na verdade, a partir deste mês e até finais de Outubro, as deslocações de Vizela à Senhora da Lapa são quase em romaria. Evocamos aqui a Senhora da Lapa na medida em que ou na ida ou no regresso, compensa bem um pequeno desvio no percurso para uma visita a este rincão de paz, de beleza, simpatia e de gente como é o de Tarouca E, portanto, muito acolhedora. E se isso fizer e mesmo que numa visita rápida, não deixe de passar pela ponte de Ucanha e pelos conventos de S. João de Tarouca e de Salzedas.
A este nosso texto demos o título de “triângulo com a Senhora da Lapa e Vizela” E cujas bissectrizes deste triângulo equilátero se cruzam no incentro que, neste caso, é Tarouca. E isto, porquê? Porque, através do evento que terá o seu auge nos dias 25 e 26 próximos, há coincidências comuns: a nossa presença (Vizela) no acima referido “Encontro de Autores Regionais” e no qual iremos participar de forma activa; Tarouca, pelos motivos acabados de referir. 
Mas também ainda porque, e ao que nos foi possível saber, da freguesia de Várzea da Serra, muitos são também os que se deslocam à Lapa, como testemunho da sua devoção à Senhora do mesmo nome. E ainda porque, nas adesões literárias ao “Tarouca Vale a Pena”, há pessoas comuns a estes três territórios. Na verdade, há muita gente em Vizela que sabe que temos conterrâneos nossos a residir na zona da Senhora da Lapa. E há pessoas – vamos já citar uma – que conhecem Vizela pela devoção que tem à Senhora da Lapa e que são vizinhas e amigas de Tarouca.
E tudo isto, porquê? Porque se não fosse o evento do “Tarouca Vale a Pena”, estes pontos comuns, que sairão reforçados e solidificados a partir dos dias 25 e 26 deste mês, só por mera casualidade se iriam descobrir. Evento este que tem vindo a ser uma outra luz a brilhar sobre as serras de Aquilino Ribeiro. Mas luz nas cores literário-poéticas que da serra de Sta Helena passou a irradiar de forma intensa e crescente, para todos os concelhos que neste âmbito da Arte têm vindo a colaborar. E não são poucos – cinquenta! e com a participação garantida e confirmada de duzentos participantes no congresso.
Referimos acima que iríamos citar uma pessoa no “epicentro” deste inesperado “terramoto” literário de autores regionais.
 Ei-la! É de seu nome Ana Nunes, que também já andou cá pertinho de nós (monte de S. Bento das Peras, aquando da comemoração dos 500 anos da Confraria da Senhora da Lapinha. E eis o que ela nos disse: “ Agradecemos a referência que a comunicação social de Vizela faz do Santuário da Lapa, na divulgação do super-evento que se vai realizar em Tarouca nos dias 25 e 26 de maio. Sem dúvida um projeto feliz, que projectou Tarouca nas bocas do país e internacionalmente - “encontro dos escritores regionais” !
“Eu, na minha humilde contribuição, publiquei alguns trabalhos que podem ser apreciados por lá, numa participação boémia, ao estilo tão nosso das “ Terras do Demo”, também referenciadas neste artigo. Os mesmos trabalhos podem ser lidos, conjuntamente com outros mais, na página do facebook “Tarouca Vale a Pena” ou na minha página pessoal. Não estarei no evento (…)  terei que estar a trabalhar, mas estarei lá de coração. Espero que quem por lá for assistir, goste do que eu escrevi e se sinta bem representado! Um abraço de todos nós da Lapa para as gentes de Vizela e muitas felicidades (…) Não sou de Vizela, mas gosto muito de Vizela e das suas gentes! Faço parte dos órgãos de Reitoria do Santuário da Lapa. Daí conhecer tão bem as movimentações desses lados. Conheço e lido com imensa gente de Vizela que passa constantemente por este Santuário, e da qual só tenho bem a dizer. Além disso, sou de perto de Tarouca (Moimenta da Beira) - o coração das Terras do Demo. Nas horas vagas gosto de vaguear (…) e dedicar-me à escrita, de uma forma apelidada de “ boémia” porque não me considero capaz de produzir algo escrito de verdadeira relevância”. 
E escreveu-nos mais o seguinte: (…) “A par de Vizela, Várzea da Serra também é uma digna peregrina da Lapa. Daí que possamos dizer que Tarouca e Vizela caminham juntas no coração da Senhora”.
Em face do exposto, pensamos que fica demonstrado e justificado o título deste nosso texto de hoje. E ficamos feliz por vermos que o poder da comunicação cria laços de união de terras e de gentes cujo primeiro contacto começou pela iniciativa do “Tarouca Vale a Pena” e que congregou gente com o dom e gosto de escrever.  Do “Encontro Regional de Autores” em diante, o eco do “Tarouca Vale a Pena” irá ser uma espécie de “corrente literária e de comunicação” entre todos quantos se ficarão a conhecer pessoalmente e de certeza que não deixarão que os elos  desta “corrente literária” se quebrem e se dispersem.