Somos um País de escândalos?

Domingos Pedrosa

2018-01-04

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. . . Se somos! E de muitos. Quem há dias viu a reportagem “O Segredo dos Deuses” na TVI, ficou estarrecido, indignado, de boca aberta. Não era para menos! Viu e ficou a saber que durante muitos anos saíram crianças de Portugal para o Brasil, para os braços de pastores da IURD. Pastores que nos anos 90, (há quase trinta anos!) destilaram, encharcaram de fanatismo religioso, débeis mentalidades de pessoas que depois exploraram, esbulharam, transtornaram. A organização IURD, fez o que quis neste país, já que nunca teve peias nem escrúpulos. Mas é preciso, é urgente pôr termo a tão desenfreados abusos. Ou não será abuso todo o comportamento da IURD? Começam por chamar àquilo, Igreja, quando não é. É uma organização brasileira que se instalou em Portugal, rica, e que mais enriqueceu, graças ao miticismo que prega, que não é mais que uma intrujice. Depois, os seus “maiorais”, chamam a si próprios, bispos que nadam em notas, em dinheiro despejado dos bolsos dos seus seguidores, muitos dos quais devotos pobres. E finalmente, esta patranha: garantem que há um paraíso à espera dos devotos cumpridores das suas obrigações: dar, dar o mais que puder. Quanto mais der, mais certo é o paraíso!
A acção da IURD em Portugal pelo que se viu na reportagem, é escandalosa: Trafica crianças e suga dinheiro. Só declarados, estão 30 Milhões de Euros em Portugal por ano. Trinta Milhões livres de impostos porque o Estado lhes concede essa “Graça”. Uma “Graça” a uma organização com vastos interesses empresariais, imobiliários, com dinheiro a sair de cá para contas do tal paraíso celestial que os bispos “pintam” como se o tivessem visto ou passado por lá. Naquela “Terra de promissão” – afirmam eles – a cordialidade é tanta, que até os lobos, sendo carnívoros e ferozes, comem no mesmo comedouro das herbívoras e mansas ovelhas. Enfim . . .
Mas não só dinheiro, sai de Portugal, saem como dissemos já, também crianças. Há tráfico de crianças – tem que se repetir esta expressão porque é uma triste verdade. É verdade as crianças saírem do país de avião, sem se saber bem como. Mesmo hoje em que não se pode entrar num aeroporto com um tubo de pasta dentífrica, falta controlo sobre quem sai e o que entra nos nossos aeroportos.
A IURD é tão astuta e ardilosa, que tudo conseguiu “legalmente” no nosso país: Infantários com alvará, onde os bispos vinham escolher crianças; que a Santa Casa da Misericórdia validasse processos; que os tribunais aprovassem adopções sem ouvirem os pais biológicos. A IURD tinha um esquema tão bem montado, que até os tribunais conseguia enganar. Só se aperceberam quando precisaram de chamar pais biológicos e não os localizaram porque as moradas eram falsas. Mas se os encontrassem e fossem fiéis seguidores da IURD, nada ouviriam contra a organização, tal é a reverência e o medo de perder o paraíso prometido.
Quando o grande estadista Marquês de Pombal (já lá vão 250 anos), desmascarou a hipocrisia, desterrou o fanatismo religioso e pôs fim ao poderio da Santa Inquisição, disse: Em Portugal, mandam os portugueses. Ora, como o pouco que Bruxelas nos deixa mandar, chega para acabarmos com a situação perturbadora que vivemos, o Estado tem que agir, e que comece pela organização IURD. Que comece com aquilo que na organização está mal, e se ela for o mal, que acabe também com ela.