Síndrome de Tourette: o que é?

Raquel da Silva Fernandes

2017-11-09

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Também conhecida como Síndrome de la Tourette, é um distúrbio neuropsiquiátrico caraterizado pelos múltiplos tiques, motores ou vocais. Instala-se na Infância e, normalmente perdura mais de um ano. 
Jean Marc Gaspard Itard, médico francês, foi responsável por o descrever primeiramente em 1825. No entanto, foi em 1884 que a doença foi considerada Síndrome de Gilles de la Tourette, tendo sido publicado um relato da patologia pelo estudante de medicina Gilles de la Tourette, daí o nome. 
Por norma, a síndrome de Tourette tem início no período da Infância ou Juventude, tornando-se crónica. No entanto, durante a vida adulta tende a amenizar e em alguns casos, desaparecer. O número de casos tem sido crescente. Muito embora, hoje, há mais disponibilidade de informação e conhecimentos sobre esta síndrome, quer por parte das equipas de saúde, quer por parte dos responsáveis em a diagnosticar. Na maior parte dos casos (aproximadamente 80%), o historial clínico inicial da síndrome são os tiques motores. Destacar aqui o piscar, franzir a testa, contrair a musculatura da face, balançar a cabeça, contrair os músculos do abdômen ou outros grupos musculares, assim como outros movimentos mais elaborados, como tocar ou bater em objetos que se encontram próximos. Também, os tiques vocais, que abrangem os ruídos não articulados, como tossir, fungar ou limpar a garganta e emissão parcial ou total de palavras. Em alguns casos observa-se a coprolalia e copropraxia, que é a utilização involuntária de palavras e gestos obscenos, respetivamente; a expressão de insultos, a repetição de um som, palavra ou frase referida por outra pessoa, que recebe o nome de ecolalia. Embora idênticos, não confundamos com o Autismo. 
Hoje, o diagnóstico é apenas clínico, baseando-se nos critérios que passo a elencar: (i) presença de tiques motores múltiplos e um ou mais vocais durante a síndrome, não necessariamente simultaneamente; (ii) ocorrência de tiques diversas vezes ao dia, quase que diariamente, ou intermitentemente, por mais de um ano; (iii) com o passar do tempo, varia a localização anatômica, o número, a frequência, complexidade, tipo e gravidade dos tiques; (iv) início na infância ou adolescência (antes dos 18 anos de idade); (v) inexistência de outras condições médicas que esclareçam os movimentos involuntários e/ou as vocalizações; (vi) testemunho ou registro de tiques motores e/ou vocais.
Por ser importante atenuar todos estes comportamentos e até mesmos os perceber, a investigação tem demonstrado a importância da utilização de uma forma de terapia comportamental cognitiva, considerada como o tratamento de reversão desses hábitos.