Rua Dr. Pereira de Freitas

Júlio César Ferreira

2020-01-09

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“(…) e da mesma forma se dê o nome de Rua Doutor Pereira de Freitas, à rua que vem desde o fim da Rua do Médico, até ao Lugar das Teixugueiras”.
É assim que termina a proposta apresentada à vereação vimaranense, pelo seu presidente, Dr. Joaquim José de Meira, na sessão camarária de 15 de Julho de 1903, atribuindo o nome do dr. António Inácio Pereira de Freitas, à época, conhecido e avalisado médico em Ponte de Lima, à rua que, hoje, começa junto do Centro de Saúde Vizela e segue até ao entroncamento com a Av. Engº. Sá e Melo, já muito próxima do quartel dos Bombeiros Voluntários de Vizela.
António Inácio Pereira de Freitas, na tese que defendeu na Escola Medica do Porto, enalteceu as virtudes das miraculosas águas termais de Vizela e sendo nomeado médico do estabelecimento, foi sempre ouvido nos melhoramentos importantes, sustentando uma luta gigantesca em diversos jornais do país, para a formação de uma Companhia, publicando depois, em 1868, o seu opúsculo intitulado: "Aos senhores capitalistas, noções acerca do projectado estabelecimento termal de Vizela e conveniência da sua construção por meio de uma Companhia".
De sobejo são conhecidos os seus escritos científicos e os triunfos da sua vida profissional, que lhe mereceram a consideração condigna em Ponte de Lima e o tornaram merecedor da justa resolução camarária.
António Inácio Pereira de Freitas, sobrinho pelo lado materno, de José Joaquim da Silva Pereira Caldas, o decano do Liceu de Braga, professor venerando e homem de ciência, nasceu a 0l de fevereiro de 1842, em S. Miguel das Caldas de Vizela, filho de José de Freitas e Oliveira e D. Cecília Rosa da Silva Pereira, cursou os preparatórios em Braga, obtendo sempre honrosas classificações. Em 1858 matriculou-se na Academia Politécnica do Porto e em 1861 na escola médico-cirúrgica da mesma cidade, tendo concluído a sua formatura em 1866. A tese que defendeu no fim do curso tem o título seguinte: “Das águas minerais em geral e da sua aplicação em particular ao tratamento das moléstias cirúrgicas.” Depois de exercer clínica em Vizela e em Fafe, em 1869 estabeleceu-se em definitivo em Ponte do Lima, onde durante 38 anos ocupou um lugar de inconfundível e meritório valor.
Sabido é, que entre os médicos do Norte, foi um dos primeiros e mais devotados propugnadores da dosimetria e da hipnoterapia. As suas qualidades de observador perspicaz e experimentado, o vasto alforge de conhecimentos adquiridos por um estudo incessante e o abundante bom humor, que raras vezes o abandonava, contribuíram para o tornar num dos mais reputados clínicos do Minho.
Foi, como vimos, pioneiro na aplicação da dosimetria e da hipnoterapia, além de Filósofo, Ensaísta, Professor na Escola Municipal Secundária de Ponte de Lima, da qual foi Director e Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima, em 1898 e 1899.
No site da Santa Casa de Misericórdia de Ponte de Lima, pode-se ler: "No seu chalet á entrada do Bairro do Pinheiro, falece o médico vizelense António Inácio Pereira de Freitas, que foi cirurgião e Director do nosso hospital, e clínico municipal, além de autor do projecto do Hospital para o Parque da Lapa. 7 de Setembro de 1905".
Fácil se torna perceber que o nosso ilustre conterrâneo, estava totalmente inserido na comunidade Limiana e muitas são as referências elogiosas, como podemos ver nesta local de o "Comércio do Lima".
"O Teatro Diogo Bernardes, edifício de vulto que se ergue em Ponte de Lima, no entroncamento da rua dos Terceiros com a rua Agostinho José Taveira, é um testemunho da sensibilidade artística e do esforço financeiro de aristocratas, de comerciantes e de brasileiros de torna-viagem. A Comissão Promotora deste empreendimento era presidida por João Rodrigues de Morais, então Provedor da Misericórdia, por Francisco António da Cunha Magalhães e pelo Dr. António Inácio Pereira de Freitas".
Referência ainda para o asilo de inválidos Camões, fundado em 1882 por iniciativa do dr. Joaquim Gerardo Alves Vieira Lisboa, dr. Ignácio Pereira de Freitas, Miguel Roque dos Reis Lemos, dr. José Joaquim de Castro Feijó e outros.
Do Dr. Pereira de Freitas, diz ainda Cândido da Cruz, no Almanaque Ilustrado de "O Comercio do Lima" , 1907, pag. 137 a 139. "Como homem de sociedade era uma figura insinuante. Segundo a natureza da conversa em que entrasse, ou contribuía com uma opinião auctorisada, ou a polvilhava com uma alegria communicativa. Por mais accêsa e apaixonada que decorresse uma discussão, raro era que com um dito gracioso, ou uma anedocta picante não acalmasse os ânimos o provocasse a hilaridade”.
“Tal era em rápido escorço,(1) o dr. Pereira de Freitas, a cuja memória deve Ponte do Lima a homenagem da sua saudade e respeito e de que, gostosamente, nos fazemos interpretes nesta modesta consagração."
 
(1) Descrição