Rescaldo de uma Noite Memorável

Domingos Pedrosa

2017-10-12

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. . . E a sentença moral dos provérbios. E começamos por um. Diz o povo na sua imensa sabedoria, que o “Bem nunca esquece, e que o mal lembra sempre”. E é por causa de um “mal”, e por causa de um grande número de vizelenses me perguntarem a cada passo se eu ouvi as declarações dos políticos da nossa terra na noite das eleições, que quero, e vou falar. Ouvi, claro que ouvi com muito interesse e atenção, e ouvi o tal “mal” que é um engulho atravessado em todos os vizelenses, a provocar murmúrios de indignação.
As declarações na nossa Rádio naquela noite memorável, marcaram muito quem as ouviu. Eu gostei de algumas e de outras não. Gostei de ouvir Victor Hugo Salgado a afirmar que não haverá vinganças e que a sua candidatura é de união. Que a sua equipa vai provar que valeu a pena lutar pelo concelho, que todos unidos, vão fazer Vizela crescer.
Mas não gostei, como muitos vizelenses não gostaram, da deselegância de quem tem a obrigação de saber estar em todas as circunstâncias. Depois dos votos contados, depois de se saber quem venceu e quem foi derrotado, ouviu-se na Rádio Vizela o que todos consideram quase um desaforo. Ouviu-se isto, a roçar a insolência: “Estou a acompanhar estas eleições com muita emoção e muita tristeza. João Ilídio Costa era, sem dúvida o melhor candidato, mas, nem sempre ganham os melhores”. Esta declaração foi lamentável e infeliz, nada enalteceu quem a proferiu, mas, pior ainda, foi quando se referiu a uma das razões que fizeram Victor Hugo Salgado vencedor. A mesma voz, continuou assim: “É no porta a porta que se vence eleições. ALÉM DISSO, EXISTE, POR VEZES, UM BOCADINHO DE ILITERACIA”.
Ora, nem eu, nem nenhum vizelense gostou que nos chamasse analfabetos, incultos. Não gostamos porque não somos, nem nenhum de nós precisa do “Dr” a anteceder e a “polir” o nome. Para nada. Nem para tomar decisões certas como foi a do acto de votar, nem para distinguir do simbólico punho cerrado do PS, a cabeça coroada com louros de glória, da nossa Vizela Romana. Ser letrado, muito letrado numa democracia, é letra morta, já que a democracia nasceu precisamente, como reacção contra os governos oligárquicos.
Já elevação teve o “derrotadíssimo” candidato do Partido Socialista. Abriu a sua declaração na Rádio Vizela, com “glória aos vencedores e honra aos vencidos”. Mas teve um senão embaciador, quando afirmou: “O tempo foi demasiado curto para passarmos a nossa mensagem a todo o eleitorado. Se tivéssemos mais dois meses pela frente, PODEM TER A CERTEZA ABSOLUTA que o resultado seria completamente diferente”. Ao ouvir isto, como há provérbios para todas as ocasiões, muitos vizelenses com um condescendente encolher de ombros e um frouxo sorriso, murmuraram este: Presunção e água benta, cada um toma a que quer!