Reparem nisto

Domingos Pedrosa

2018-10-11

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Atentem nestes números: de acordo com os dados da GNR do ano passado, todos os dias foram “apanhados” 440 condutores em excesso de velocidade nas estradas portuguesas. 68com valores de álcool no sangue superiores ao permitido, sensivelmente o mesmo número (67) de ocupantes sem cinto de segurança, e um pouco menos, 62, de situações de uso indevido do telemóvel.
Imaginemos agora uma viagem de Vizela ao Porto sem imprevistos, coisa para demorar cerca de meia hora – Se se cumprir os limites de velocidade – e vamos ver isto nos trinta minutos de viagem se olharmos de vez em quando pelos espelhos e pelas janelas: 9 condutores a passar por nós em excesso de velocidade, um, provavelmente, com excesso de álcool, outro irá distraído com o telemóvel e haverá outro ainda, sem cinto de segurança. Nada de estranho, já que todas as horas é o dobro disto.
Na mesma viagem até ao Porto, vemos que muitos condutores não circulam pela direita, (2359 foram multados o ano passado) enquanto outros se esquecem de sinalizar as manobras ou circular sem qualquer iluminação, como os 22.396 que o ano passado foram multados. No total, somando todas as contraordenações, a GNR no ano de 2017, fez 544.368. 1491 por dia, 62 por hora, uma por minuto. Para elucidar melhor e pormenorizando, repare-se neste mapa das multas em 2017: Excesso de velocidade, 160.642 (440 por dia). Excesso de álcool, 24.863 (68 por dia). Uso do telemóvel, 22.784 (62 por dia). Inspecção, 22.035 (60 por dia). Seguro, 10.210 (28 por dia). Sem carta, 4053 (11 por dia). Cinto de segurança, 24.651 (67 por dia). Iluminação e sinalização, 22.396 (61 por dia). Pneus, 4.111 (11 por dia). Habilitação errada, 1964 (5 por dia).
Diz a fonte destas notícias (GNR) que o sistema rodoviário é constituído por quatro elementos: a via, o veículo, o ambiente e o condutor. O erro humano (o condutor) está na origem de mais de 90% dos acidentes que muitas vezes ceifam vidas. O ano passado morreram nas nossas estradas 509 pessoas. E este meio milhar de mortos ao longo de um ano, parece não impressionar quem conduz, que continua a prevaricar, lesando os outros – diz um responsável da GNR. Mas podiam lembrar-se que são 500 vidas perdidas de outras tantas famílias afectadas, de pessoas que ficam feridas, com problemas, muitas vezes, para a vida toda, concluiu o GNR.
É ainda este responsável da GNR, que numa análise cruzada entre os números da sinistralidade, que afirma que em Portugal 32% dos condutores vítimas mortais, apresentavam álcool no sangue, e 24% com valores de taxa-crime. As infracções que os portugueses cometem ao volante – diz por fim – deviam ser logos punidas com todo o rigor, mas não são, espera-se como é o caso do excesso de velocidade. O condutor paga a multa e fica à espera que o processo prescreva – o que acontece com frequência. E não devia acontecer, porque, não deve haver nunca, impunidade para estas três transgressões: excesso de velocidade, álcool e a falta do cinto de segurança. Destes três erros resultam sempre graves consequências. É importante – conclui um agente da GNR – que as pessoas percebam o perigo dos seus comportamentos. Que pensem que tarde ou cedo vão ser controladas, fiscalizadas e multadas severamente. Continuar no “se calhar safo-me”, é o pior para a segurança rodoviária.