Remate Certeiro 23.01.2020

Hélder Freitas

2020-01-23

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Gostaria de mudar de página neste espaço onde me deixam escrever sobre o que me importa, para aproveitar o Campeonato da Europa de Andebol e falar um bocadinho sobre a nossa selecção da modalidade.

A selecção já não participava em competições deste tipo há 15 anos (conseguiu um sétimo lugar no Europeu da Croácia de 2000 com o lateral esquerdo Carlos Resende a entrar no sete ideal desse mesmo Europeu realizado nos Balcãs), mas de lá para cá pura e simplesmente não existiram apuramentos.

Neste Europeu tem sido tudo menos isso. Vencer uma estreante Bósnia até poderia ser encarado como natural, mas o que dizer das vitórias sobre a França e a Suécia (anfitriã da prova) duas das selecções mais tituladas do mundo.

Mas a surpresa só existe para quem não viu os jogos (e não tem sido fácil porque os mesmos não passam em canal aberto) – apetece questionar para onde vai a contribuição do audiovisual que pagamos na factura da energia, até porque se transmitir um jogo de uma selecção nacional na maior competição europeia da modalidade não é serviço público, o que será? Adiante, Portugal tem muito do seu seleccionador, que conseguiu incutir no grupo um espírito guerreiro e vencedor e, acima de tudo, humilde e com um carácter a toda a prova.

Para quem gosta do desporto, essencialmente na sua vertente competitiva, nada dá mais gozo do que o David ganhar ao Golias, ou seja, quando o pequenino se solta das amarras, liberta-se dos condicionalismos e enfrenta amedrontando o gigante.

É um pouco isso que tem acontecido com esta selecção nomeadamente nesta sua participação no Campeonato da Europa. Mais até do que projectar o nome dos que lá estão do quão alto erguem a nossa bandeira, importa perceber o que todos eles estão a fazer pelo futuro da modalidade em Portugal.

As últimas participações nos escalões jovens já prognosticavam um bocado isso, mas vencer históricos da modalidade, se calhar ninguém previa que acontecesse tão depressa como aconteceu. Mas aconteceu e honra lhes seja feita por tudo o que de bom têm feito.

Notem que no dia que escrevo estas linhas perdemos com a Islândia por 3-0, mas o seleccionador já tinha avisado: para continuar o sonho e chegar à 3ª fase só sendo perfeitos.

Neste jogo não foram tanto como nos jogos que venceram, mas ninguém os pode acusar de nada pois dão tudo dentro do campo e ainda não houve jogo nenhum que, não vencendo, tenham visto o adversário ser muito superior.

Ainda não aconteceu em momento algum, algo inimaginável há uns anos a esta parte.