Remate Certeiro 19.07.2018

Hélder Freitas

2018-07-19

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Vou aproveitar para debitar algumas notas sobre o Campeonato do Mundo que ainda não abordei neste espaço. Desde logo para aferir que Portugal foi eliminado por uma equipa que estava perfeitamente ao nosso alcance. Mas como me dizia um colega, enquanto que os nossos jogadores (salvo algumas exceções) jogam pela Europa fora em clubes que ficam a meio da tabela ou em campeonatos sem competitividade de outros, há seleções que têm jogadores com outro andamento... Mas houve quem não fizesse melhor (como se ficássemos mais contentes com isso), por exemplo o Brasil, que de uma forma um tanto ou quanto curiosa, acaba por ser eliminado no seu melhor jogo. 
A Argentina foi outra das grandes desilusões que veio provar que até agora só Maradona é que conseguiu, a solo, levar uma seleção ao cetro. Mais uma que cabe neste lote é a Espanha que, não tendo perdido nenhum jogo foi para casa cedo demais perante tamanha qualidade “traída” pelo novo clube do selecionador (entretanto despedido) que não conseguiu aguentar mais uns diazitos para anunciar o nome do novo timoneiro. Por último cabe a Colômbia no pote, seleção de tremendo potencial que não conseguiu ser pragmática, tão pouco eficaz e o pouco perfume que ainda deixou ficar foi quase em exclusivo por um James fisicamente “nas lonas”.
Por outro lado houve quatro seleções que, superando as suas próprias expetativas deixaram água na boca para edições futuras até do Campeonato da Europa. A Inglaterra caiu nas meias finais mas fica com o galardão de ter sido a seleção mais nova da prova e logo com um quarto lugar final. Promete muito a seleção britânica para o futuro.  A Bélgica ficou com o bronze mas foi de todo evidente que merecia ter chegado à final pois foi a equipa que apresentou o futebol mais rendilhado e mais bonito do torneio só equiparada à Croácia. De Bruyne e Hazard de um lado e Rakitic e Modric do outro foram os expoentes maiores do que é jogar bom futebol num coletivo já de si muito forte. Se a estes últimos  juntarmos Griezmann e Mbappé temos os que mais em evidência estiveram na maior prova do mundo desportivo. Aliás, todos os jogadores enunciados anteriormente colocam em destaque a possibilidade da hegemonia Ronaldo/Messi poder ter os dias contados.

Só para concluir, não me parece de todo que a França foi a melhor equipa do torneio mas foi a mais cumpridora e aquela que ia analisando da melhor forma aquilo que o jogo lhe ia dando. Aprendeu muito a seleção francesa com a derrota no Europeu, foi a equipa que menos errou e, quando assim é, há meio caminho andado para o sucesso. 
Apesar de não ser o futebol mais agradável, é um Campeão do Mundo com inteiro mérito porque fez por isso e tem de facto em Mbappé uma unidade que desequilibra aos 19 anos de idade.  A continuar assim ( a jogar de mota quando os outros andam de bicicleta) vai ser, já o é um caso sério no futebol mundial.