Remate Certeiro 08/06/17

Hélder Freitas

2017-06-08

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Se calhar vou pregar no deserto ao afirmar que numa visão muito pessoal e individual, muito própria portanto, acho que Portugal é muito pouco titulado no que ao futebol diz respeito. É Campeão Europeu de selecções A (obrigado Éder) – também já foi vice-campeão, mas um grego de nome quase impronunciável (Charisteas) deu-nos cabo da paciência e “roubou-nos” o título na nossa própria casa. Já foi por duas vezes campeão Mundial de sub-20 com Carlos Queiroz em Riade e em casa, (também foi vice-campeão). Tem inúmeros títulos na formação, mas ainda assim acho pouco. Parece-me pouco atendendo à qualidade do futebolista português, profissional que junta como poucos a sua qualidade táctica à vertente técnica para fazerem de si um jogador muito completo e apreciado além-fronteiras. Mas então num país com 10 Milhões de habitantes esperava-se mais? Claramente! Temos o melhor jogador de futebol do mundo, temos o melhor jogador de futsal do mundo (estou a reportar-me a prémios individuais consagrados por reputadas e renomadas revistas de cada uma das especialidades) mas sentimos dificuldades ao nível colectivo. Ninguém espera que as individualidades se sobreponham ao colectivo, mas o que se espera é que colectivamente sejamos mais fortes. Muito mais fortes. Todo este “esfarrapado” intróito, vem a propósito de pela enésima vez ter visto uma selecção nacional a claudicar, no caso os sub-20 que no Campeonato do Mundo caíram aos pés do Uruguai, que, por sinal, nem sequer foi superior a nós. Mas acreditaram mais, muito mais, fizeram das fraquezas forças e acima de tudo foram mais capazes e competentes da marca da grande penalidade. Sim, porque contrariamente ao que muitos vaticinam, converter penaltis não é sorte, mas sim competência e capacidade que vem do trabalho. Portugal foi displicente como o foi em tantas outras ocasiões. E até foi pena, porque apesar de ter começado mal diante de uma Zâmbia que também só caiu nos quartos, Portugal até vinha em crescendo, qual selecção A no Campeonato Europeu de 2016. Nem impulsionado por aquele que foi na “geração de ouro” considerado como o melhor jogador do Campeonato Mundial de sub-20 realizado em Lisboa (em tempo de João Pinto, Fernando Couto, Paulo Sousa, Luís Figo, Jorge Costa e Rui Costa) foi mesmo Emílio Peixe titulado como o melhor jogador do evento, nem mesmo ele (que teve uma carreira individual medíocre para o seu potencial) foi capaz de saber expressar aos seus jogadores que a montra onde estavam era um patamar enorme de alcance planetário. Ou se calhar até conseguiu porque o que vi desta equipa com enorme potencial e jogadores com qualidade intrínseca muito acima da média e por conseguinte superior a todas as outras selecções deste campeonato, foi uma equipa assente em individualidades. 
O futebol assentava sempre no que os “mais artistas” pudessem fazer e quando assim é o sinal e o augúrio esperado nunca é o melhor. Aqui, pecado capital para o seleccionador que se deixou levar pelo engodo de tantos outros, o de pensar ou achar que só na capital é que se fazem bons jogadores. Quando 40% dos jogadores seleccionados são do mesmo clube, quando esses mesmos jogadores desse mesmo clube nem sequer ficaram nos primeiros lugares do seu campeonato… E o que dizer de levar dois guarda-redes do mesmo clube, da mesma idade…quer dizer que todos os outros são fracos ou estes são tão bons, mas tão bons que até o suplente é melhor do que os titulares dos outros clubes, que têm rotinas de jogo e trabalharam para merecer uma chamada? E pontas de lança? Agora não são precisos? Não me iludam com o modelo táctico a utilizar dispensar um pivô ofensivo. Não me convencem… E pronto, por aqui me fico com a certeza de que situações destas vão continuar a acontecer o que não deixa de ser um contra-senso quando se está a tentar “formar” e se dão erros de casting e de palmatória atrozes.