Remate Certeiro 08.03.2018

Hélder Freitas

2018-03-08

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“Eu acabava com isto e vou dizer como: fazia um torneio para os três candidatos ao título e um torneio para as restantes equipas, por uma questão de respeito. Havia dois campeões: um deles que fica em primeiro lugar e outro que é o primeiro dos outros”.
Subscrevo em absoluto as declarações proferidas pelo adjunto de Pepa no final do célebre Tondela – Sporting que terminou com a vitória dos leões com o golo da vitória a ser apontado aos 98’.
Já ocupei este espaço com divagações deste tipo em que me parece existir um claro protecionismo a três clubes de futebol em Portugal. É cultural, não vai mudar nunca! Mas já que temos opinião, devemos emiti-la para que alguém possa ouvir. 
O jogo que acima falo teve anti- jogo por parte do Tondela, é um facto e até concordo que o tempo de desconto foi ajustado, mas o cerne da questão reside no facto de o critério não ser o mesmo noutros jogos, tão pouco seja linear a aplicação por parte das equipas de arbitragem nos restantes jogos. Tudo isto para dizer que o que está mal vai continuar mal e as oportunidades que se têm de colocar um ponto final na discórdia e termos um campeonato mais justo não vai deixar de ser uma ilusão, perfeita miragem. 
O campeonato de três mais os outros todos que os seguem e lhes fazem vénia, vai continuar com os mesmos erros, que passam essencialmente por tentar perceber, de entre os três que normalmente andam à frente, qual deles é o mais ou o menos beneficiado/prejudicado.Para ajudar à festa proliferam os programas televisivos onde pessoas de alguma forma associadas aos ditos três clubes vão discutir (antes fosse, o que vão é fazer tristes figuras num discurso de ataque aos adversários e a tudo o que mexa) os problemas do futebol, “puxando a brasa à sua sardinha” numa discussão que muitas vezes nem se consegue perceber muito bem do que se trata já que a algazarra por vezes impera. 
Os do G15, coitaditos, nem lá vão nem têm assento, resta-lhes ouvir e, ao que parece, deixarem de ser tão coniventes com o status quo do futebol. Tenho fundada e legítima esperança de que este grupo dos clubes ditos mais pequenos possa dar passos decisivos para mudanças significativas no futebol português. É importante desde logo rever a política de empréstimos. Fala-se muito, mas pouco se muda. Há demasiados jogos de interesses dos maiores em detrimentos dos mais pequeninos e o que se quer e pretende é que a verdade desportiva impere sempre. Para isso não seria mau começar-se por aí. Limitar-se o número de jogadores emprestados. 
Bico de obra para os ditos clubes maiores que teriam tremenda dificuldade em colocar dezenas de jogadores nos nossos campeonatos profissionais. A ver vamos no que dá as diligências e diretrizes que têm sido tomadas pelo grupo dos mais pequeninos para tentar perceber até que ponto é que o futebol ao mais alto nível em Portugal, possa mudar para melhor.