Remate Certeiro 06/07/17

Hélder Freitas

2017-07-06

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As equipas dos principais campeonatos de futebol já trabalham tendo em vista a nova época desportiva. A anterior ainda está bem fresca na memória de todos e já se prepara afincadamente uma temporada que todos esperam melhor do que a anterior. Este interregno, para os apaixonados do futebol, foi relativamente fácil de lidar, até porque o futebol ao mais alto nível praticamente não deixou de existir. Tanto mais que houve mundial de sub-20 (onde demos uma imagem de incompetência na marcação de grandes penalidades) e houve Taça das Confederações onde demos uma imagem exatamente igual à que deram os miúdos do mundial de sub-20 e ainda houve Europeu de sub-21 onde tivemos de usar calculadora, mas a mesma ficou “sem pilhas” no último jogo e fomos incapazes de marcar mais um golinho que poderia dar o apuramento. Pena porque de facto é um seleção recheada de bons valores assim sejam aproveitados pelos seus respetivos clubes. Das duas últimas competições, sobressaiu a velha máxima de Gary Lineker ex internacional Inglês: “O jogo começa 11 contra 11 e no final ganha a Alemanha”, e não é que foi tal e qual…
Mas já não é só uma Mainshaft que vence à custa da força, de um rigor tático a toda a prova, de uma defesa coriácea e de jogadores que não sendo o suprassumo da técnica são-no na vontade que colocam em cada lance como se fosse o último a disputar. É uma Alemanha que percebeu muito cedo que com as características acima descritas, o seu futebol não estaria no patamar mundial, porque iriam com toda a certeza aparecer seleções que iriam contrariar essas especificidades próprias do género alemão. E tal aconteceu, houve muitas seleções a evoluírem no virtuosismo e na capacidade de darem luta às potências mundiais. Mas do outro lado estava a Alemanha que fez todo um trabalho de base na formação para começar a colher dividendos no Mundial de 2016 no Brasil com: Neur, Kedhira, Kroos, Ozil, Reus, entre outros que uns anos antes haviam conquistado o título europeu de sub-21 como este ano fizeram… O leque de recrutamento da Alemanha é largo, tem um campeonato competitivo, tem adeptos que enchem estádios mas volto a insistir que o trabalho de base está na formação. É importante perceber quando estão esgotados os recursos e começar a trabalhar nos sentido de contrariar o status quo. Há características indeléveis às seleções alemãs. Jogadores rigorosos e cumpridores taticamente, defesas quase imbatíveis e toda uma capacidade de entreajuda por demais interessante. Mas a Alemanha já tem jogadores com centro de gravidade baixo, virtuosos tecnicamente, o seu futebol deixou de ser tão vertical e retilínio e é bem mais apoiado e de passe curto. E não, não foi a passagem de Guardiola pelo Bayern Munique que fez toda a esta diferença. Foi uma alteração ao nível da formação, alterações de base que permitiram, ao fim de alguns anos sem conquistas, chegar novamente ao trono. E não é que deve estar para durar… é que quem, com uma equipa sem estrelas, sem nomes sonantes dá a prova cabal de competência que deu nas Confederações deve dar muitas dores de cabeça aos seus adversários. Continuo a achar que os bons exemplos devem ser copiados. Portugal, o Chile e o México apresentaram-se nas Confederações com uma média de idades de 28 anos. A Alemanha tinha 23. Só que os selecionados da Alemanha foram todos jogadores que fizeram épocas positivas (por positivas entende-se que…jogaram nos seus clubes, foram primeiras escolhas, já outros…).