Remate Certeiro 06.06.2019

Manuel Marques

2019-06-06

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Guardo boas recordações dos tempos em que joguei à bola nos baldios, nos torneios populares e nos Juniores do FC Vizela onde os treinadores Zé Manel (de Braga), Firmino Fura e Daniel Videira nos ensinavam, dentro das suas e nossas limitações, a jogar e a ser Homens fora e dentro do campo. Tais ensinamentos implicava o respeito pelos adversários, mas sem os temer, pelos árbitros, pelo público e, sobretudo, pelo Clube.  Fomos campeões sem derrotas, saiu da nossa equipa o primeiro internacional do Vizela (Salvador), e tivemos praticamente a folha limpa de castigos no final da época como era desejo dos nossos treinadores.  
Talvez por esta educação desportiva que recebemos, ainda hoje não consigo assimilar como pode um jogador profissional agredir sem bola um adversário dentro da área ao minuto 90+4 duma meia final de um play-off (bota fora) como aconteceu em Vila Franca de Xira. Este inesquecível lance gratuito e de todo lesivo, que deu origem ao penalti do segundo golo vilafranquense, foi, quanto a mim, o ponto-chave para o descalabro do Vizela neste play-off que acabou de perder de forma inglória, dolorosa e prematura!
O resto foi o mais do mesmo, lixo tóxico que esta sucata do Campeonato de Portugal já nos habituou: campeões de série que não sobem e são obrigados a competir com segundos classificados; a falta de uma greve geral dos clubes contra o circo do CPP; o mutismo e a inércia das Associações Distritais de futebol que representam os clubes e deviam defender os seus interesses em lugar de andarem a lamber as botas à milionária Federação; jogos do play-off para a mesma hora da final da Taça de Portugal e por último, a rebelião de um determinado grupo de adeptos contra a SAD do Vizela legitimamente sufragada pelos sócios do clube e que deu ao Vizela logo de entrada dinheiro para pagar calotes antigos que jamais seriam liquidados e poderiam levar inclusive, à insolvência do clube, que deu mais três relvados, mais a iluminação do estádio que permite jogos noturnos - sem haver necessidade agora de se pedir o estádio ao Moreirense como aconteceu em dezembro de 2014 na visita do Sporting -   e que pagou altos salários a jogadores seniores e juniores durante estas duas épocas entre outros investimentos.
Apesar de tudo isto, o Futebol Clube de Vizela será sempre dos vizelenses e a SAD também não pensa nem quer o contrário.
O Presidente da SAD, Diogo Godinho, sua esposa e pai (figura simpática que sempre acompanha o Vizela), Gonçalo Moreira, o Presidente do Clube Eduardo Guimarães, o Presidente da Assembleia, José Borges, e o jogador Welliton e sua família tão frustrados (ou mais) quanto os outros sócios e adeptos do FCV pelo desfecho pesaroso de domingo, não mereciam, de forma alguma, passar pela lamentável situação provocada no final da partida por alguns vizelenses, ou pouco à imagem do ano passado. Foi muito triste. Se quisermos puxar a fita atrás, em Vila Franca de Xira bastaria ao FC Vizela jogar apenas um terço do que jogou este domingo para passar a eliminatória com uma perna às costas. Ou então bastaria meter a mão ao bolso ao minuto 90+4 (em lugar de a levar às fuças do João Vieira) e já o golo que o ex-avançado vizelense nos marcou no domingo em casa não contava para nada. Mas isto já é tudo do passado! O futuro é sabermos se Edmund Chu (que ficou bastante triste) quer continuar a investir no nosso Clube e a apostar num Campeonato roto e com formato de labirinto de onde não se consegue sair, ou se a equipa principal vai ser entregue àqueles que criaram o slogan “SAD PARA A RUA”.