Remate Certeiro 04.01.2018

Hélder Freitas

2018-01-04

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O clima de suspeição voltou ao desporto nacional desta feita com a possibilidade de resultados combinados terem sido “fabricados” por uns em detrimento de outros. É de forma clara e evidenciada o pior que o desporto tem para “oferecer”. 
A avalanche de desportos e de acontecimentos desportivos e o avolumar também natural das casas de apostas que aproveitaram a era das plataformas digitais para actuarem sem rosto e chegarem a um grande público (um leque variadíssimo de pessoas de todas as faixas etárias e dos mais variados extractos sociais), propicia a que em jogo, no mais variado acontecimento desportivo, estejam em disputa milhares e milhares de euros passíveis de serem ganhos…ou perdidos.
O certo é que sempre houve quem de uma forma ou de outra quisesse desvirtuar o resultado e ganhar elevadas maquias com isso. O ilícito normalmente tem a perna curta e aqui e ali as suspeições passam a crimes que mais tarde ou mais cedo acabam por ser julgados. Só que antes que isso aconteça nos tribunais, há sempre julgamentos na praça pública onde se ouvem as mais diversas opiniões, sendo que na esmagadora maioria são discursos de quem condena os actos que adulteram a verdade desportiva, e outra coisa não seria de esperar.
Anteriormente os árbitros eram sempre bodes expiatórios de tudo e mais alguma coisa assim houvesse suspeição, mas hoje já são outros agentes desportivos a entrarem em liça. Custa-me a crer que um desportista, quer tenha a carreira perfeitamente consolidada (porque há casos desses) ou não, ceda à tentação de ganhar uma importância de forma “suja” e não opte por ganhá-la da forma mais limpa e natural, no fundo, que é a forma que escolheu para viver, a de ser desportista profissional. 
E o problema maior é que, confirmando-se ou não, ou seja se a suspeição passar a certeza, o desportista ou os desportistas em causa vão ter o seu nome “arrastado” para a lama com todos os inconvenientes que isso terá a curto e a médio prazo. Basicamente, num “pequeno” erro de julgamento na decisão, um desportista põe em causa toda a carreira que tem pela frente ou toda aquela que conseguiu construir, porque jamais voltarão a olhar para si da mesma forma. Perdem contractos, perdem patrocínios e até amigos. 
O melhor mesmo, é construir uma carreira assente em princípios éticos e de transparência onde o que se ganha é fruto do suor e do trabalho e não querer dinheiro fácil, que para além de desvirtuar a realidade desportiva que tanto gostamos, coloca nas ruas da amargura individualidades que tiveram tudo mas que cederam à tentação de querem ainda mais de forma gananciosa e errada. Completamente errada.