Remate Certeiro

Manuel Marques

2017-03-30

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Donald Trump, durante um evento de campanha eleitoral no estado de Nevada, foi interrompido por um tumulto na sala e retirado à pressa. Quando o candidato republicano regressou ao púlpito disse em bom tom: “Ninguém disse que seria fácil para nós. Mas eles nunca nos vão deter. Nunca”.Como se sabe, contra todas as expectativas, inclusive todas as sondagens, Trump venceu.

No início da época da Segunda Liga conversava com o José Marinho num banco de madeira do Jardim Manuel Faria (dos poucos bancos que vão resistindo em Portugal à onda avassaladora da corrupção e das falências fraudulentas), ambos de olhos postos no leque de clubes que o Vizela, de regresso a esta competição sete anos depois da última passagem pela provas profissionais, iria defrontar e mitigamos em conjunto: “Descem quatro clubes diretos e dois vão disputar um play-off com os segundos melhores classificados (norte/sul) do Campeonato de Portugal. Que hipótese tem o FC Vizela de se manter nesta divisão recheada de estrelas cadentes? Ficou a dúvida no ar, entre o coreto e o lago. A resposta ainda não chegou. Faltam oito jornadas.

O elenco de 21 equipas, onde pontificam algumas com perfumes recentes da sua passagem pela I Liga e a jogar em estádios de onde desfilou o Europeu 2004, dava conta das dificuldades que uma equipa como o Vizela, recém-promovida e longe de possuir as condições que a grande maioria dos seus adversários já ostentavam e ostentam com um simples campo relvado de treinos, e por onde andam filhos de tubarões, as denominadas equipa bês do Porto, Benfica, Sporting, Braga e Vitória (que têm sempre à mão recursos que podem utilizar das suas equipas principais, pegando-se como exemplo o caso do Sporting B que depois de perder em Vizela e onde fez o seu próprio teatral epitáfio assegurando que tudo estava perdido, subiu na tabela após ir buscar vitaminas à equipa A. Era esperado!

No Vizela isso não acontece pelo que a equipa terá, assim se presume, até final, uma disputa pela permanência no fio da navalha, apesar de se saber que nesta equilibrada tabela se passa do 8 ao 80 e vice-versa do dia para a noite tal é a proximidade (exceção ao Olhanense) entre os clubes participantes.

A SAD, nova por cá, já se apercebeu que em Vizela o futebol é vivido com grande paixão (como o salientou  o treinador do Gil Vicente, Álvaro Magalhães, aos jornalistas) e que todos os vizelenses veriam com bons olhos e festejos a manutenção na II Liga porque aqui o futebol (e a terra) tem outra expressão.

 Após 34 jornadas disputadas (mais uma que todos os outros), três treinadores e a oito jogos do final da prova, a posição que o nosso Vizela ocupa, não sendo catastrófica é, no mínimo condizente com a expressão de Trump: «Ninguém nos disse que isto iria seria fácil para nós. Mas eles nunca nos vão deter. Nunca».

O líder Portimonense (a melhor equipa da II Liga), orientado pelo campeão das subidas à I Liga Vítor Manuel, que se cuide na sua visita deste domingo a uma das terras mais lindas de Portugal! Eles que venham!