Religiões

Domingos Pedrosa

2019-01-17

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A religião é um sentimento que nos leva a crer na existência de um ente supremo, um culto que se presta à divindade. É amparo e conforto moral dos crentes que sofrem, que tem o místico poder de conceder alívios. É por isso que neste mundo, proceloso mar de aflições, todas as religiões são tábuas de salvação. São muitas, mas vamos falar só das mais conhecidas.
Das três monoteístas, o judaísmo é a de raízes mais antigas. Do seu seio surgiram o cristianismo, e o islamismo adoptou vários princípios judaicos, reconhecendo Abraão e Moisés como profetas. Tem 40 séculos de existência e a sua origem em Abraão, (1.800 anos antes de Cristo) que deixou a sua cidade (Ur) cumprindo a ordem de Deus: “Deixa o teu país, a tua parentela e a casa do teu pai, para o país que te mostrarei. Eu farei de ti um grande povo, Eu te abençoarei e engrandecerei o teu nome; sê tu uma bênção”. E deu-lhe a terra de Canaã (actual Palestina). 
A segunda etapa do povo judeu é a escravidão a que a descendência de Abraão foi sujeita no Egipto. Obedecendo a Deus, Moisés voltou com o seu povo à Terra de Canaã, à Terra Prometida, e foi na passagem pelo deserto que ele recebeu as Tábuas da Lei. Mais tarde, foi estabelecido um reinado terrestre e Saúl foi ungido rei dos judeus. Com o seu filho David, que lhe sucedeu, Deus fizera um plano: Da sua linhagem, viria um dia o “Messias”.
63 anos antes de Jesus, Jerusalém seria conquistada pelos romanos, e foi durante esse domínio que Jesus de Nazaré reuniu um grupo de discípulos e iniciou a pregação da Sua santa doutrina. Fez milagres, malogrou a ardileza dos fariseus, desmascarou-os pondo ao léu, a hipocrisia deles. Dizia aos discípulos: “Eu e o Pai somos um” (S. João – 10:30). “Quem me vê a Mim, vê aquele que Me enviou” (S. João – 12:45). E começou a ouvir-se que as profecias estavam a cumprir-se: Jesus, da linhagem de David, era o “Messias” prometido. Mas os judeus chamaram-lhe blasfemo, crucificaram-no, e esperam ainda o “Messias” do plano de Deus com David.
Depois da ressurreição de Jesus, os discípulos desligaram-se do povo judeu para constituir a igreja cristã. Passaram 2.000 anos, e hoje o cristianismo tem no catolicismo o maior número de seguidores. Nestes 20 séculos, apesar de todas as transformações, a igreja mantem-se fiel ao mandamento de Jesus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração… a amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
A igreja católica tem no Papa (quando em 1958 o fumo-branco anunciou um novo Papa – João XXIII, que era corpulento e muito bondoso – o alfaiate do Vaticano, atarefado, fez-lhe a alva aperreada, e, ao chegar à janela para saudar e abençoar a multidão que o aclamava, não podendo erguer o braço, segredou ao seu acólito: Todos me amam, menos o alfaiate) a sua autoridade máxima, e o primeiro foi o apóstolo Pedro. Boccaccio e Dante diziam que a igreja católica devia ter qualquer coisa de divino para resistir a certas “vergonhas” de alguns Papas. Hoje, ao saberem das escandaleiras de cardeais, de bispos e padres, e do que a história nos diz dos Bórgias, e estar “viva”, diriam que é mesmo divina.
A história diz-nos que o Papa Alexandre VI, (Rodrigo Bórgia) fez cardeal o seu filho César depois dele ter assassinado o seu irmão João. Diz-nos que o Papa Alexandre VI, era também pai de Lucrécia Bórgia, que foi um monstro – Victor Hugo só disse dela coisas tétricas. Teve um filho que, em duas bulas sucessivas, Alexandre VI reconheceu primeiro como seu próprio filho, e depois como filho do seu filho César, o que deu para acusar Lucrécia de um duplo incesto.
Através dos tempos, o catolicismo teve cismas, e hoje as igrejas ortodoxas e o protestantismo, são ramos principais do cristianismo. A igreja ortodoxa que segue a crença e as práticas definidas pelos primeiros sete concílios ecuménicos, nasceu no tempo dos apóstolos, e até ao século IX esteve unida à Santa Sé, fazendo parte da única Igreja Católica Apostólica Romana, mas, surgiram divergências e negou a supremacia do Papa. Os desentendimentos intensificaram-se, e o Papa Nicolau I demitiu o patriarca de Constantinopla do seu posto. Este respondeu com uma encíclica acusando o Papa de heresia, e, dois séculos depois, outro patriarca ao separar as duas igrejas, fez nascer a Igreja Católica Ortodoxa. (A palavra ortodoxa – do grego orthódoxos – significa: “o que está com opinião certa”).  O protestantismo, originário do movimento religioso do século XVI, que recebeu o nome de “reforma”, foi uma vontade de levar o cristianismo de volta à sua pureza primitiva, e de acabar com a corrupção e abusos do poder da hierarquia religiosa de Roma. Para salvar a sua alma – defende o protestantismo – cada qual deverá apresentar-se pessoalmente perante Deus e a Ele prestar contas. Ninguém pode desculpar-se com o procedimento e decisões de outros.
Mas dentro do cristianismo há mais igrejas cujos fundadores afirmam terem recebido revelações do além, em mensagens que os incumbiu de as criar. E “nasceram”: “testemunhas de jeová, adventistas, coptas, mórmons, igreja universal do reino de Deis, e outras ainda.
Reunindo mais de 70 seitas, o islamismo divide-se genericamente em dois grandes grupos: sunitas e xiitas, havendo discrepâncias entre os dois, sobretudo na forma como concebem a autoridade religiosa, mas, ambos são fiéis cumpridores do Corão que terá sido ditado por Deus a Maomé, através do arcanjo Gabriel. Custa acreditar que haja um Deus tão impiedoso e vingativo, para ditar versículos que incentivam a violência. O Corão era ensinado com uma espada na mão, porque um versículo, diz isto: “Ensinai o Corão, aquele que não acreditar, matai-o”.
Para muitos, o espiritismo é também uma religião. Acreditavam na comunicação com os espíritos, e agora mais ainda, com os cinco livros que Kardec escreveu: “O livro dos espíritos”; “Os livros dos médiuns”; “O Evangelho segundo o espiritismo”; “O céu e o inferno” e a “Génese”. Mesmo havendo cerca de 100 milhões a acreditar nestas vias para comunicar com os entes queridos que já partiram, o espiritismo continua a ser considerado uma crendice popular.
Outra religião de difícil compreensão, (pelo menos para os ocidentais) é o hinduísmo praticado pela maioria da população da Índia de onde é originária. É uma das maiores e mais importantes do mundo pela grande influência sobre os outros credos. 
Falta falar das duas religiões filosóficas: Confucionismo e Budismo. Confúcio é considerado um dos maiores mestres de todos os tempos. Advogava a justiça para todos como fundamento da vida num mundo ideal, onde os princípios humanos, cortesia, piedade, e as virtudes de benevolência, rectidão, lealdade e integridade de carácter devia prevalecer.
O Budismo é antes de mais, um caminho para a paz espiritual, uma escolha que relega o plano material para posição secundária (não desperdicem o vosso tempo prestando homenagem ao meu cadáver – disse Buda). É uma fé milenar que tem em Dalai Lama o primeiro e mais fervoroso crente na religião/filosofia fundada por Buda. É de lembrar que “Buda” é um título, não um nome próprio. Significa “aquele que sabe”, ou “aquele que despertou”. Buda foi um sábio, e os seus seguidores acreditam que acima do mundo material, por eles desprezado, existem serem divinos e felizes numa “enorme montanha”, em torno da qual, giram o sol e a lua.
Por fim, quero lembrar que no pedestal da estátua do bispo de Viseu – D. António Alves Martins – está esta frase sua: A religião deve ser como o sal na comida, nem muita, nem pouca, só a precisa.