REGRESSO AO PASSADO?

Horácio Vale

2017-09-07

Partilhe:


A Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, organismo integrante do Tribunal Constitucional, publicitou os orçamentos para as campanhas eleitorais das Autárquicas 2017, a realizar no próximo dia 1 de Outubro.No que refere ao concelho de Vizela foi orçamentado um valor global de € 170.168,00, assim distribuído: Movimento Vizela Sempre (MVS) com 90.450 euros; Partido Socialista com 42.502,00 euros; A coligação “Vizela é para todos” com 19.300,00 euros; A CDU com 12.000,00 euros e o Bloco de Esquerda com 5.916,53 euros orçamentados.
A primeira constatação que ressalta da leitura acima é de que o valor orçamentado pelo Movimento Vizela Sempre (MVS) representa mais de metade (53%) do valor total inscrito pelas diferentes forças partidárias concorrentes às eleições autárquicas no concelho de Vizela. Note-se, ainda, que em relação ao valor orçamentado pelo Partido Socialista, o segundo mais elevado, verifica-se que o orçamento do MVS mais que duplica esse mesmo valor.
Há, pois, um propósito de investimento colossal do MVS na campanha para as eleições de 1 de outubro, que contraria claramente a política de contenção financeira dos demais grupos partidários concorrentes, em que certamente se pretenderá sobrepor o poder do dinheiro e dos interesses particulares ao poder da razão política e do interesse coletivo.
Contudo, esta política do despesismo, do novo-riquismo e da megalomania não é novidade para os principais mentores e dinamizadores do MVS. Lembre-se, a propósito, a construção do edifício sede da Câmara Municipal de Vizela, cuja volumetria totalmente desajustada à realidade local, criou um “elefante branco”, que tem absorvido milhões de euros e cujas obras ainda não foram concluídas; recorde-se, igualmente, o projeto para o edifício do Castelo, apresentado publicamente com pompa e circunstância, que pressupunha integrar a Biblioteca, o Auditório e outras importantes valências municipais;  o seu orçamento de milhões foi bandeira eleitoral dos responsáveis municipais de então, e que terá sido entretanto esquecidos em qualquer gaveta, evidenciando, hoje, a total degradação em que se encontra e constituindo já um elevado perigo para a segurança das pessoas que ali passam; tenha-se igualmente presente a promessa do Pavilhão Multiusos e das Piscinas Municipais que seriam um modelo de infraestruturas desportivas para toda a região e que jamais tiveram qualquer viabilidade de concretização. Enfim, o concelho de Vizela, teve um início de vida difícil, que mais se agravou por via de uma gestão municipal autocrática e pouco eficiente, que apenas se regia pelos interesses dos seus principais responsáveis. Aliás, a sobranceria, a falta de respeito (muitas das vezes o insulto) pelos eleitos das demais forças políticas que integravam os diferentes órgãos municipais, o ignorar de qualquer proposta vinda da oposição, sempre foram apanágio desse triste e lamentável período governativo. 
Agora, com toda essa gente aglutinada em torno do MSV, parece que há uma vontade acrescida de nos fazer recuar a esses tempos de tão má memória, que levaram um município jovem e com enormes potencialidades e condições para ser um concelho modelo no país, à triste e lamentável situação de concelho “falido”. 
Nesta conformidade, a Câmara Municipal de Vizela viu-se obrigada a recorrer ao Programa de Apoio à Economia Local, linha de crédito destinada a regularizar as dívidas dos municípios vencidas há mais de 90 dias. Entretanto, o esforço de redução da dívida da atual gestão municipal, em mais de 3 milhões de euros face a 2015, ditou que o Governo, através das Secretarias de Estado do Orçamento, Tesouro e Autarquias Locais, aprovasse a suspensão do Plano de Ajustamento Financeiro e das suas obrigações.
É, pois, fundamental, dar continuidade e sustentabilidade à política atualmente seguida pelos responsáveis municipais em exercício de funções, de modo a consolidar e estabilizar, definitivamente, a situação financeira da Câmara de Vizela. Assim, é fundamental que os vizelenses reflitam sobre o que verdadeiramente interessa para o futuro do nosso concelho. Será que devemos optar por um regresso ao passado, através do MVS, liderado por aqueles que, num passado recente nos impuseram todo um conjunto de políticas megalómanas, despesistas e demagógicas, que hipotecaram o nosso futuro coletivo? Ou, pelo contrário, deveremos apostar numa política de rigor, transparência de processo e respeito absoluto pelo interesse coletivo, protagonizada pela liderança de João Ilídio Costa, personalidade sobejamente conhecida dos vizelenses, com provas dadas, tanto a nível profissional, como no associativismo local (em especial como presidente da direção dos Bombeiros Voluntários de Vizela).
Vizela merece mais e melhor, pelo que é fundamental, nas próximas eleições de 1 de Outubro, apoiarmos as candidaturas do Partido Socialista. JUNTOS VIZELA VENCERÁ!