Quem tudo quer, tudo perde! … Tudo o que é demais, é erro! …

João Ilídio Costa

2019-11-28

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Começo este artigo de opinião por manifestar o muito apreço que tenho por tudo o que vá no sentido de fortalecer a “sociedade civil” organizada, sendo que, por isso mesmo, não me choca absolutamente nada a existência de muitos presidentes associativos de outras tantas associações e cooperativas de natureza social, desportiva, cultural, informativa, humanitárias e outras, e por isso dizer aqueles que, de uma forma jocosa, dizem que Vizela tem proporcionalmente mais presidentes por metro quadrado que o resto do país, me sinto orgulhoso de ser filho de uma terra que tem um movimento associativo cheio de vitalidade.
Porém, já me choca profundamente, que a mesma pessoa queira ser presidente de muitas coisas ao mesmo tempo, como se fossem “a última bolacha do pacote”, num claro desprezo com a ideia de uma democracia pluralista, ignorando ou fingindo ignorar que, sem democracia social, não há democracia política que resista, contribuindo, assim, de uma forma objetiva, para a descredibilização das instituições e com isso afastar da vida cívica homens e mulheres livres com os quais todos tínhamos a ganhar, porque esses e essas estão sempre disponíveis para estimular a fraternidade humana e sempre contrários ao discurso da ambição desmedida, disfarçada de altruísmo e, não raras vezes, do estímulo do ódio entre as pessoas.
Por isso, fazendo jus a uma parte do título deste artigo de opinião, não tenho dúvidas de afirmar que a sabedoria popular, ao adquirir o princípio de que “quem tudo quer, tudo perde”, tem carradas de razão, porque a História está cheia de protagonistas que acenderam fogos, que depois não puderam apagar, com todas as consequências que tais situações acarretaram e acarretam.
Não queria para a minha terra um protagonista que fosse, com estas caraterísticas, mas pelo andar da carruagem temo que se esteja a caminhar para uma concentração de poderes e para amordaçar a opinião dos Vizelenses. Hoje em dia, há uma fúria regulamentadora deveras preocupante em matérias de opinião, quer ao nível da participação das coisas públicas e do bem comum, quer agora, por contágio, na Assembleia Geral da Real Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Vizela e, se a isto acrescentarmos a apetência por cooperativa informativa, então o “caldo” está quase a entornar-se.
Neste particular, estaríamos muito perto de uma opinião dirigida, não só por quem escreve, ou diz no jornal ou na rádio (haverá sempre um que dirá não), mas também por quem escreve aos jornais ou à rádio.
Tenho, para mim, que a cooperativa detentora dos principais órgãos de informação de Vizela não interfere nos conteúdos e não tem pretensões dirigistas a outros níveis, por isso estamos a falar de comunicação séria, onde há pessoas que escrevem e dizem e pessoas que lhe escrevem e são ouvidas. Faço votos para que este pluralismo se mantenha e perdure por muitos e bons anos.
Porque à comunicação se atribui a importância de “Quarto Poder”, acho que todos os cuidados são poucos, já que mantenho o princípio que quem escreve nos jornais estudou anos nas escolas de jornalismo, estudo esse que lhes deu vários conhecimentos para além de astúcia e precisão e, neste momento, não lhes será difícil adivinhar o que anda por aí em matéria de ambição, usando a concentração de poderes, meticulosamente construída, para influenciar e afirmar poder pessoal, próprio de quem vive temeroso e por isso pouco livre.
Por tudo o que acabo de escrever, fica a minha convicção que “tudo o que é demais, é erro” … e, também o meu penhor, de que me arrependeria publicamente se tivesse feito um julgamento apressado.

 

Até sempre.