Quem não deve não teme - Parte II; e Ser ou não ser… como a mulher de César…

Armindo Faria

2017-02-09

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Uma vez mais a parceria, calhando bem, estrategicamente estabelecida, entre o Dr. Jorge Pedrosa e a Drª Dora Gaspar, almejando atacar um adversário comum e como que anunciando uma nova (obviamente legítima) coligação político-partidária, no pretérito dia 04 de Fevereiro corrente, usando dos microfones que gentilmente lhes são disponibilizados, entenderam chamar à colação um não assunto e, por via dele, erradamente, diga-se desde já, tentando politizar o que nada tem de político, apontar baterias para a minha pessoa. Mérito meu, ou excesso de tempo livre dos dois?!

Pensei muito (coisa que habitualmente faço para me pronunciar sobre assuntos sérios) antes de decidir se valia a pena perder algum do meu precioso tempo a responder, quer ao “putativo candidato” à presidência da CMV, Dr. Jorge Pedrosa, quer à “putativa candidata” - seja a que cargo for na autarquia - Drª Dora Gaspar.

Mas como em causa esteve o meu bom nome e, sobretudo, o da instituição que orgulhosamente represento e que é meu dever proteger: a Rádio Vizela-Cooperativa de Radiodifusão, CRL, venho à liça dizer que, o que verdadeiramente se passou com a IV Gala da Rádio Vizela, foi o facto de, na habitual prestação de serviço público que nos é intrínseco, em mais uma noite de esplendor, esta de 28 de Janeiro último, altruisticamente termos conseguido prestar merecida homenagem a Vizela, ao seu Povo e às suas instituições.           

Daí que, para quem não pode, ou simplesmente não quis, estar presente, seja por compreensíveis razões de ordem familiar ou de outra natureza, começo por transcrever aquele que foi o meu discurso na referida memorável noite de 28 de Janeiro último:            

(…) Insignes homenageados; notáveis membros da comissão consultiva e do júri; ilustres convidados; distintas entidades autárquicas, civis, militares, religiosas, associativas e artísticas, em suma, todo o magnífico público:

Em nome das equipas da Rádio Vizela e do Eskada Vizela, permitam-me que agradeça a vossa presença e o esplendor que conferem a este evento.

Fosse eu poeta e, sem dúvida, teria escrito um merecido poema… à terra, às gentes e instituições que hoje homenageamos. Falamos de Vizela: terra de nascentes abençoadas, onde brotam génios, germinam talentos diversos e se multiplicam empreendedores, cientistas e espíritos solidários.

De novo, rendidos ao seu talento, nos reunimos para prestar o tributo devido a Vizela e aos seus predilectos filhos: sejam os que nela nasceram, ou os que dela se enamorando, nos seus generosos braços maternais tiveram acolhimento.

Fomos hoje, uma vez mais, testemunhas presenciais da grandeza, dimensão e bairrismo - deixem-me de dizer: do Vizelismo das suas gentes. Nesta noite magnifica, para além dos mil encantos da região, do talento multifacetado e do espírito solidário das suas pessoas, apanágio dos ilustres nomeados, também trouxemos à ribalta a diáspora vizelense. Aqueles a quem as suaves brisas de Vizela e as Musas da aventura fizeram com que partissem à descoberta e levassem consigo a vontade de erguer bem alto as Bandeiras de Vizela e do seu Povo.

Qualidade ainda bem evidenciada - como gostamos de dizer - na solidariedade sem fronteiras, atributo dos vizelenses, bem patente na causa social a que aderimos este ano e através da qual - com a preciosa ajuda e trabalho incansável da associação Alma Mater Artis - fieis à ideia de que “o futuro de uma criança vale todo o sacrifício” - direcionamos para os mais jovens de São Tomé e Príncipe. 

Será, certamente, também por isso que insistimos em mostrar ao mundo que na Rádio Vizela - ainda que por vezes tenhamos de remar contra ventos e marés - não abdicamos do poder/dever de sermos solidários. O que, sem olhar a esforços, ano após anos, logramos realizar pela força de uma equipa unida e imbuída da vontade de bem-fazer, de fazer acontecer e que, em troca, apenas pede respeito.

E é, também por isto que, nos sentimos muito gratificados quando percebemos que as pessoas, gente de boa-fé, comungam do sentimento, já expressado por Paula Oliveira quando disse que: “a Rádio Vizela é muito mais do que se ouve…” São sentimentos destes que nos enchem a alma e o coração e que - bebendo da grandeza dos pensamentos de Fernando Pessoa - nos permitem afirmar que: também “temos em nós todos os sonhos do mundo”.

Obrigado por terem vindo e, com a vossa presença, prestigiado este evento, que pretendemos seja a festa da homenagem, da gratidão, da solidariedade e, ainda, seguramente das emoções... (…).

Ora, como se pode constatar, não só agradeci e enalteci a presença das mais de mil pessoas que lotaram o recinto (as que verdadeiramente quiseram participar), como não censurei quem tendo sido convidado, como efectivamente foi, por uma ou outra razão, amuos, obediência e servilismo incluídos, entendeu não estar presente.

As minhas palavras que acima transcrevi, deveriam ser suficientes para demonstrar aos profissionais e aspirantes da vida política (não ignoro que os há também em Vizela) que o regime da permanente suspeição que, à míngua de capacidade para melhor, teimosamente persistem em agarrar, já os não leva a lado algum.

Toda a gente já percebeu que a falácia do insulto e da falta de argumentação construtiva só penaliza os respectivos autores. Ou, dito de outra forma e usando um dos adágios populares, ultimamente em voga, que retrata fielmente o que passa pela cabeça dos meus acusadores: “Conforme se usa, assim se acusa”.

Cabem aqui, ainda, aliás, na perfeição as mui sábias palavras de Santo Agostinho, das quais recentemente tive oportunidade de fazer eco: “A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.”

Ora, querendo seguir tão profundo ensinamento, não posso deixar de dizer aos dois actores políticos intervenientes que motivaram esta minha intervenção que: sim, estou indignado com a sua postura, sobretudo, da Drª Dora Gaspar e que não aceito a insídia das afirmações desta. Que, sim, tenho coragem para enfrentar o que quer que seja e, consequentemente, tentar mudar as coisas.

Dizer, também, à Drª Dora Gaspar que já é tempo de, pelo menos, suavizar o claro défice democrático e narcisismo atroz de que padece e lembrar-se que, de forma leal, e, como mais tarde constatei, quiçá ingénua, mas sempre ancorada na lei e na boa-fé, durante oito anos, na AMV, me bati contra a suspeição e desconfiança que, não raras vezes, eram dirigidas aos executivos onde a senhora esteve integrada...

Deixar-lhe, ainda, um pequeno conselho: modere sua arrogância - exclusivamente reduzida à forma, vazia de conteúdo e a roçar a má educação - que aquela só lhe poderá trazer dissabores. Lembre-se que “não é com vinagre que se apanham moscas”…

Aos “putativos candidatos” aos órgãos autárquicos, sem excepção, apenas relembro que Vizela precisa que sejam o exemplo da cidadania, que saibam respeitar a livre e soberana vontade de cada cidadão, a inteligência de todos e que entendam, e nunca se esqueçam, que “a liberdade de cada um de nós acaba onde começa a dos outros”.

Aqueles que não conseguirem entender e, sobretudo, praticar coisas singelas como as que acabo de referir, também não poderão ser merecedores de respeito, antes, pelo contrário, inevitavelmente lhes estará reservado o frontal repúdio ou a indignação dos seus concidadãos. 

Aproveito para reiterar aqui que, enquanto desempenhar as funções de Presidente do Conselho de Administração da Rádio Vizela - Cooperativa de Radiodifusão, CRL, não só, não me servirei - como jamais me servi - do cargo para fins de promoção pessoal ou de quem quer que seja, como, até ao último folego defenderei a minha imagem, bom nome e dignidade e, bem assim, denunciarei quaisquer tentativas de castração ou de domínio das valências da Cooperativa que, custe o que custar, permanecerão independentes na prestação do seu reconhecido serviço público.

E isto porque, como escreveu Aristóteles, pensamento que tento seguir: “Um homem que se curva não endireita os outros.”

Finalmente, à Drª Dora Gaspar, sem qualquer hesitação ou reserva mental, afirmo-lhe o seguinte: não sou melhor, nem pior, do que qualquer outra pessoa. Sou um homem simples como muitos, com defeitos, certamente, mas que se esforça arduamente por ser sempre responsável, sério, digno, leal, frontal, trabalhador e defensor de causas justas.

O que verdadeiramente me distingue da senhora - e de algumas pessoas que comunguem do seu ideal de vida, preocupadas com a aparência - é o facto de que me é suficiente ser sério.

Não. Não pretendo, nem quero, parecer sério… Basta-me ser!