Quem não deve não teme

Armindo Faria

2016-06-09

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Corria o mês de Fevereiro de 2015 quando, como, aliás me competia, em defesa do bom nome, imagem e idoneidade, quer da instituição Rádio Vizela - Cooperativa de radiodifusão, CRL e dos jornalistas que nela exercem a nobre função de informar, senti-me na necessidade de vir a terreiro para chamar a atenção de algumas pessoas (em pequeno número, é certo), mas também pouco esclarecidas. O que, então, fiz, através de crónica publicada neste Jornal sob a epígrafe de “BASTA!” e da qual, para contextualizar o que hoje pretendo dizer, passo a transcrever alguns excertos:
(…) “Começamos a estar fartos de tanta hipocrisia e de egos inflamados. Era bom que, de uma vez por todas, as pessoas (…) compreendessem que as valências da Rádio Vizela não foram criadas para dar palco e ribalta aos Condes de D´Abranhos que persistem em existir nesta terra abençoada pela natureza, mas que dela não são merecedores. A Rádio Vizela-Cooperativa de Radiodifusão, CRL nasceu, cresceu e vai continuar a desenvolver-se, sempre com a finalidade de levar bem longe o nome da terra, dos anseios e necessidades das suas gentes e, sobretudo, de dar voz a quem disso precisar (…).” (…) Esta teoria conspirativa, que não é de agora (…) é própria e adequada de egoístas, de fracos, de pobres de espírito, de quem tem medo ou não encontra que fazer. Por isso dizemos basta! (…)”. (…) “Queremos poder fazer e praticar um jornalismo e informação, livres e independentes, sem insinuações conspirativas, constrangimentos e/ou ameaças, internas ou externas e de quem quer que seja. Esta constitui uma das nossas missões e que vamos continuar a levar em diante independentemente de tal agradar ou de incomodar qualquer força política, instituição ou pessoas, singulares ou colectivas. (…) “Quem merecer palco, notoriedade e/ou reconhecimento sempre terá o destaque que lhe for devido. Mas tem de fazer por isso. Não chega pôr-se em bicos de pés para tal obter. Não contem connosco para isso. (…)”.
Confesso que, desde então, a contagem de linhas de texto; de número e tamanho de fotografias; das publicitações, ou falta delas, de alegados eventos ou cerimónias que, em resumo, enchiam o ego e motivavam as queixinhas de alguns, (os do costume), diminuíram substancialmente. Mas eis senão quando, sem qualquer prévio aviso, nem coragem para confrontar directamente quem pretendia visar, agindo de modo que, para já, me recuso qualificar (não confundir com temor), um resíduo ou resquício daqueles que, para se manterem à tona da vida política, atacam tudo e todos, sendo que, neste caso, atentando contra a Cooperativa que represento e escolhendo, agora, como alvo preferencial, a minha pessoa!
Facto este que, porém, por si só, não seria, sequer, credor de qualquer importância. Porém, não fora a circunstância de, em consequência do mesmo, o seu autor (até acredito que ingenuamente), para além da minha dignidade, não estivesse a colocar em causa toda a equipa de profissionais da redacção da Rádio Vizela e do RVJornal e, por essa via, inclusivamente toda a instituição que as suporta! Tarefa última esta em que, paradoxal e contraditoriamente, teve ajuda da representante do PS.
Estou, como certamente já se percebeu, a reportar-me a uma interpelação do Dr. Jorge Pedrosa quando, vá lá saber-se porquê, no passado dia 02 do corrente mês e no âmbito do programa da Rádio Vizela - destinado a proporcionar a todas as forças políticas do concelho o livre confronto de ideias e a análise de factos com relevante interesse para os Vizelenses - entendeu questionar a Senhora Jornalista, Drª Ângela Fernandes, relativamente à presença e/ou comprometimento do signatário com a candidatura do Dr. Victor Hugo Salgado à Câmara Municipal de Vizela nas próximas eleições autárquicas. Ao falar, como falou (não dizendo coisa nenhuma) o interveniente no referido programa arrogou-se o direito de questionar minha liberdade de escolha, a minha imagem, o meu bom nome, idoneidade e, necessária e consequentemente, a de todas as pessoas que trabalham na redacção das supra identificadas valências da Cooperativa.
Na verdade, no meio da sua própria atrapalhação, recorrendo à insídia da suspeição, apenas, logrou mostrar desconhecimento do ordenamento jurídico no que tange a matéria de comunicação social, in casu, suportado pelas Leis da Imprensa e da Rádio. O que, tratando-se de quem se trata, não é compreensível, nem aceitável! Insídia ou Intriga contra a qual sempre me bati e, podem estar certos, continuarei a bater-me, em defesa da liberdade de escolha, de expressão, em suma, da liberdade, esta entendida como atributo inalienável da dignidade humana. Que fique bem claro que, enquanto desempenhar as funções de Presidente da Direcção da Rádio Vizela - Cooperativa de Radiodifusão, CRL, não só, não me servirei - como jamais me servi - do cargo para fins de promoção política pessoal ou de quem quer que seja, como, também e sobretudo, pelejarei até às últimas conse-quências quaisquer tentativas de castração da minha autonomia e dignidade, venham elas de onde vierem. Combate a que mais fervor me dedicarei se os ataques se direcionarem aos dignos pro-fissionais que integram o quadro de Jornalistas da instituição.     Quem tiver razões de queixa (ou cogitar que as tem), faça o obséquio de as dirigir à entidade reguladora do sector e não se deixe cair na triste contradição de lançar suspeitas sobre aqueles que, afinal, mercê de muito trabalho, abnegação e sacrifício, até lhes proporcionam páginas de jornal e tempo de antena para que, alcandorados na sua suposta superioridade intelectual,  possam usar de toda a liberdade que, de forma lamentável, injustificada e ilegítima, almejam negar aos outros. 
A luta política, tal como a entendo, se a tiver de travar, travá-la-ei nos momentos e locais apropriados, mas sempre em condições de paridade e lealdade, com quem quiser ou vier a ser meu interlocutor. Vizela precisa que todas as pessoas, mediante o exercício pleno da cidadania, saibam respeitar a livre e soberana vontade do seu Povo e de cada cidadão, percebam e nunca se esqueçam que “a liberdade de cada um de nós acaba onde começa a dos outros”.
 Que, finalmente e de uma vez por todas, entendam e se convençam de que ninguém pode cercear a independência de pessoas de bem, independentemente dos cargos que estas exerçam em instituições e entidades prestigiadas e, muito menos, ainda, impunemente lancem suspeições sobre a honorabilidade dos visados. 
Quem não for capaz de entender coisas tão simples como estas também não será credor de respeito, antes, pelo contrário, apenas se limitará a demonstrar falta de cultura democrática e, por isso, merecedor de frontal repúdio ou indignação.