PARASITAGEM

José Borges

2020-02-13

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A Academia de Hollywood, decidiu e bem, sair da caixa e atribuiu o prémio maior aos filmes realizados e produzidos em 2019 à obra do Sul Coreano Song Kang-ho com o título “Parasitas”. O título e o enredo, suscitaram-me a curiosidade de pesquisa, e o trailler ali à distância dum clique, confirmaram a justiça de tão honrosa distinção. Todas as histórias, que nos façam refletir sobre as desigualdades sociais e fenómenos sociológicos, serão sempre bem-vindos.
Sem pretensão de ser original, atrevo-me a descodificar o termo “parasita”, e ele serve para classificar, todos aqueles, que alimentam processos de perversidade, para viver quais vampiros e exploradores à custa do sacrifício dos mais desprotegidos por uma sociedade classista e desprovida de sentimentos.
A sociedade, como reiteradamente tenho afirmado neste espaço, compõe-se de várias atividades e movimentos sociais, obviamente perpetrados por cidadãos, que de preferência devem ser cidadãos inteiros. Esta, deve ser, aliás, a exigência mínima a todos aqueles, que dirigem ou superintendem instituições, sejam elas de que índole forem. Nas desportivas em particular, o exemplo que vem de cima, não funciona como referência e consequentemente não são exemplo para ninguém. Colidem de frente com o espírito que norteia o desporto, que tem no exemplo e no fair play a sua principal pedra de toque. Que exemplo nos trazem grupos organizados que promovem a violência, e a preceito de interesses inconfessáveis se viram contra os interesses dos clubes a que hipnoticamente juram amor e paixão? E aqueles que egoisticamente promovem competições e quadros competitivos quase fechados com o objetivo nítido de obstaculizar ao máximo a entrada de outros competidores para preservar a sua principal fonte de sustentação, que tem a ver com as receitas televisivas? E a propósito das transmissões televisivas, e porque surgiu no panorama áudio visual da nossa praça um novo canal patrocinado pela Federação Portuguesa de Futebol intitulado Canal 11, que pessoalmente aprecio pois de uma forma transversal fala de futebol e das suas variantes na sua mais pura essência. Por várias vezes esteve em Vizela para transmitir jogos da equipa vizelense. É óbvio, que numa época em que tudo se promove ou não em função das imagens que se transmitem, a presença de tal canal poder-se-á entender como positiva. Resta saber se os proveitos superam os desperdícios e prejuízos para os clubes, pois é sabido, que das transmissões não resultam qauaisqueres proveitos materiais diretos. Espera-se que com o evoluir do projeto promovido por entidade multimilionária os clubes passem a tirar outro tipo de proveitos. Se assim não acontecer, cá estaremos para denunciar e colocar o poder da organização no lote daqueles a quem o filme Sul Coreano faz referência “Parasitas”.