OS RISCOS DAS VITÓRIAS

Manuel Marques

2018-10-11

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No nosso tempo de alunos da Escola Preparatória Dr. Pereira Caldas (estabelecimento também conhecido por Ciclo que, inexplicavelmente, deixou há muito de ostentar o nome do conceituado vizelense, deram-lhe em troca um número qualquer...) fomos com várias equipas de diversas modalidades e escalões defrontar uma escola do Porto. Os alunos mais novinhos, todos muito pequeninos, tinham jogado basquetebol e vinham muito contentes com o resultado. Perguntei qual o desfecho do jogo e responderam eufóricos: “Empatámos”. 
Ena empataram por quantos? - Quis saber e eles responderam: “Empatámos dois a dois (2-2).” Grande resultado!
Isto em basquetebol onde, por norma, nenhum jogo termina abaixo de 50 pontos para cada equipa. 
A alegria de um bom resultado é quanto maior for o grau de dificuldade e o objetivo traçado. Um empate para uns pode ter mais sabor que a vitória para outros. 
Na vida pessoal de cada um os trâmites não diferem muito desta regra. Quem foge dos desafios e dos riscos, quem fica uma vida a apodrecer no mesmo posto de trabalho, nas mesmas rotinas e não se mete à aventura, facilmente encontra o tédio por companhia, o stress, a falta de gosto pela vida e deixa de saborear as vitórias que um dia de cada vez oferece. A apresentadora Cristina Ferreira diz ter trocado o conforto da TVI, onde era líder indiscutível, pelos desafios e riscos da SIC fugindo à rotina das vitórias. Percebe-se. 
Quem assiste atualmente aos jogos do FC Vizela nota que a bancada não vibra com as vitórias, chega mesmo o estádio a cair num silêncio tumular, porquanto os adversários dos vizelenses não oferecem risco, não dão pica e deitam por terra a ideia de que não há jogos fáceis. Há. Ganhar 10-0, 6-0, 4-0 são jogos fáceis. 
As vitórias no Vizela tornaram-se naturais e até mesmo banais. Percebe-se que estão todos os adeptos à espera do Play Off de subida porque aí sim volta a haver risco, aventura, incerteza e equilíbrio entre os adversários, os tais ingredientes que dão sabor às vitórias e levam os adeptos a pular de alegria nos golos. Sem riscos as vitórias são sensaboronas. 
Mas há uma espécie de risco que não vale a pena correr. Veja-se o caso do Brasil que arrisca em Bolsonaro (aumentativo de bolso?) e do filme protagonizado pelo namoradeiro Cristiano Ronaldo que esqueceu a velha máxima: “mais vale um diabo conhecido do que um anjo desconhecido”. 
Mas sobre essa matéria nem uma palavra minha. 

O escritor Almada Negreiros, dizia, “não te metas na vida alheia se não quiseres lá ficar”.


Perfeitamente de acordo.