Os Malabarismos do Poder

Jorge Pedrosa

2017-05-11

Partilhe:


À hora em que escrevo este artigo de opinião, 11h00 da manhã de terça-feira, 9 de maio e, pouco depois de ter feito uma pausa para café, Vizela é, digo, propositadamente, uma cidade em turbilhão. Nesta cidade, os acontecimentos vivem-se a uma escala de grandeza superior, àquela que passa nos grandes centros populacionais ou nas chamadas grandes metrópoles.
É esta a nossa cidade. É esta a nossa Terra. Vive-se, sentindo-se o clamor das gentes que querem opinar, sugerir, saber, inferir. São atitudes vivas, esplanadas no café, no restaurante, na via pública ou na comunicação social. Esta forma de ser e estar de Vizela e do seu povo sempre fez parte da sua identidade como gente livre nas ideias e nos atos. Sem medos ou constrangimentos, norteados pelos princípios de abril que tanto têm florido nesta Terra.
E dizia eu que Vizela vive em turbilhão: numa agitação premente de querer participar, duma forma positiva, em todas as atividades levadas a cabo nesta Terra.
Hoje, ninguém se mostra indiferente aos recentes acontecimentos políticos que levaram o Partido Socialista de Vizela a fazer soar as suas campainhas, numa desesperada chamada de atenção para as hostes que se mantiveram, até há dias, ao lado do ainda Presidente Dinis Costa.
Se pensávamos que as divergências malabaristas no executivo PS tinham abrandado, após o despedimento de Victor Hugo Salgado da Câmara Municipal, sendo-lhe retirados os pelouros que aí detinha, levando-o a criar um grupo de dissidentes a que chama de Movimento, com vista a candidatar-se à cadeira do poder em outubro próximo, eis que o PS, num verdadeiro “golpe de teatro”, vem dizer que Dinis Costa não será candidato, mas sim João Ilídio Costa, atual Presidente da Real Associação dos Bombeiros Voluntários de Vizela.
É certo que a hipótese de Dinis Costa não se vir a recandidatar, era um cenário, há muito referido, em surdina, até porque o mesmo o declarou, no início do mandato decorrente. E também é verdade que Victor Hugo Salgado se perfilou, desde sempre, para lhe suceder.
As peripécias decorrentes da mudança de planos de Dinis Costa e do PS, quer a nível local, quer nacional, que retiraram a confiança política ao seu ex-vice, têm dado lugar a caricatas cenas de afrontamento psicológico, refletindo-se estas no decorrer, até, de cerimónias oficiais, as quais, em nome do respeito devido aos Vizelenses, nunca deveriam ter lugar.
O Partido Socialista sabia bem com o que contava quando afastou Salgado, obrigando-o a apresentar-se a eleições como independente. Não só se viu livre de um elemento indesejado, como fez recair sobre ele o pesado fardo de ajudar à quase falência do Concelho, até ao momento, empurrado por um PAEL, o mais gravoso, e do qual os Vizelenses, sabem, muito bem, as consequências. E não esquecem.
Mas o PS guardava, ainda, a última (digo eu?) cartada política.
Convida para substituir Dinis Costa, como candidato à Presidência da Câmara Municipal de Vizela, o atual Presidente da Real Associação dos Bombeiros Voluntários de Vizela.
Admirados, ou talvez não, as questões caem, como chuva miudinha, dentro da Associação e generaliza-se, um pouco por toda a parte, redes sociais incluídas.
João Ilídio Costa declara que se candidata para unir Vizela e os Vizelenses. Ninguém o diria melhor.
Resta saber se os Vizelenses estão desunidos, resta saber se os Vizelenses, alguma vez confundiram politiquices com os reais interesses da população, resta saber como pretende Ilídio Costa unir aquela gente que sai à rua, bate o sino a rebate, dá as mãos e exige, exige, em nome de todos: respeito, igualdade, liberdade. O resto, essa mesma gente sabe bem o que fazer, quando e como. E sabe sobretudo que foi essa união que os fez correr para Lisboa, em busca de solução para o seu rio e sabe sobretudo que foi essa união que, hoje, lhes confere o direito a exigir coerência, lealdade, seriedade e sobretudo paz, àqueles, que com toda a legitimidade, se apresentam a eleições e as pretendem disputar com toda a nobreza.
É com esse espírito que a Coligação “Vizela é para todos” esteve e continuará a estar ao lado dos Vizelenses, sem pressões,  aceitando, sem condições, as suas escolhas, e tendo como objetivo dar aos Vizelenses, que sempre estiveram unidos, desenvolvimento sustentável e progresso para todos e para a nossa Terra.