O Princípio de Dinis

João Monteiro

2019-10-10

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Conheço o senhor Dinis Costa há 20 anos, quer como figura pública, quer pessoalmente enquanto membro da Comissão Instaladora do Município, vereador do Dr. Francisco Ferreira, Presidente da Câmara Municipal e também como Encarregado de Educação no Colégio Vizela. Devo confessar que na altura sentimo-nos prestigiados no Colégio com a matrícula no 3º ciclo do então filho do Vice-Presidente da recém constituída Câmara Municipal, ainda para mais atendendo ao facto do senhor vereador ter trocado a frequência na Escola pública de Vizela, perto de sua casa, pelo ingresso no ensino privado, longe da sua residência e com o acréscimo dos custos e incómodos na deslocação.   
Sempre tivemos uma relação cordial, com a exceção de um pequeno conflito no Colégio, em que nos pressionou numa avaliação final. Recordo-me da Diretora de Turma, professora Vizelense, ter entrado no meu gabinete preocupada com a prevista retenção do educando do referido vereador,  e de me ter pedido a minha opinião sobre o que deveriam fazer no Conselho de Turma. Obviamente que respondi que deveriam avaliar em consciência e em concordância com as informações dos docentes. O resultado foi a retenção do aluno. Penso que este assunto ficou ultrapassado e que o senhor Dinis não terá ficado ressabiado com a reprovação do seu filho.       
O Princípio de Peter ou Princípio da Incompetência aplica-se na íntegra ao percurso político do senhor Dinis Costa. Esta ideia, colocada na obra “The Peter Principe”,  publicada nos EUA em 1969, refere que “num sistema hierárquico todo o funcionário tende a ser promovido até ao nível de incompetência”. Lembro-me nos anos 80 o meu pai ter promovido a sua melhor trabalhadora da limpeza para os serviços da reprografia. Após iniciadas as novas tarefas, por vezes  a funcionária  trocava as fotocópias dos testes e não raras vezes tinha dificuldade em desempenhar adequadamente as suas funções. Com esta promoção a colaboradora atingiu o seu nível de incompetência, o que nos fez perder uma trabalhadora competente na limpeza  e ganhar uma incompetente funcionária na reprografia.       
Não conheci o senhor Dinis como Presidente de Junta, mas ouvi dizer que desempenhou razoavelmente as suas funções. Pelo contrário, enquanto Presidente da Câmara Municipal de Vizela, pelas diversas relações institucionais que estabelecemos e pelo seu desem-penho público que presenciei foi notória a sua impreparação, a falta de liderança no Executivo e nos serviços municipais, o des-conhecimento dos dossiers (talvez com a exceção das Obras Municipais), a inexistência de estratégia e o modo básico de comunicação.
Enfim,  a experiência como Presidente de Junta não foi suficiente para um bom desempenho na Presidência do Município, atingindo assim, com esta promoção, o nível de incompetência. Aliás, a prova dos nove da aplicação do Princípio de Peter à carreira política do senhor Dinis, verificou-se mais tarde com o atropelamento e ultrapassagem que os seus vereadores lhe efetuaram, tanto o nº 2 como a nº 3, ao conquistarem-lhe a Presidência da Câmara Municipal e a liderança da Concelhia do partido.
Com o Princípio de Dinis, de pequena vitória em pequena vitória  até à grande derrota final, Vizela perdeu um razoável Presidente de Junta de Freguesia e ganhou um insuficiente Presidente do Município.