O Potencial da Indústria 4.0

Diana Silva

2017-05-18

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Uma revolução que nem demos conta de ter começado e que não sabemos quando irá terminar…
Se recuarmos no tempo, conseguimos perceber que existiram três processos históricos transformadores. A 1ª Revolução Industrial, entre 1760 e 1830, foi preconizada pelo surgimento, por exemplo, da máquina a vapor, balizando o ritmo da produção manual à mecanizada. A 2ª Revolução Industrial, em meados de 1850, trouxe consigo a eletricidade que permitiu a manufatura em massa. Já a 3ª Revolução Industrial fez se acompanhar pela chegada das telecomunicações, da tecnologia de informação e da eletrónica para automatizar a produção. 
Hoje em dia, defrontámo-nos com a 4ª Revolução Industrial, a tão famosa Indústria 4.0 está já em marcha! E sobre este assunto, Portugal está ainda em fase transitória, de adaptação à digitalização da indústria. 
Khlaus Schwab, autor do livro A Quarta Revolução Industrial, publicado o ano passado, afirmou o seguinte: “Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes”. A questão que se impõe fazer é: estará Portugal apetrechado para acompanhar esta 4ª Revolução Industrial?
Um estudo realizado pela consultora Roland Berger delimita a indústria europeia em quatro grupos de países (os tradicionalistas, os hesitantes, os do pelotão da frente e os que mostram potencial para vencer) e revela que Portugal se encontra no grupo dos hesitantes, a par de países como a Bulgária e a Espanha. 
Perante esta informação, resta saber se há uma organização estratégica e consequente na agenda política nacional e se a indústria, está ou não, a reassumir uma posição mais relevante na esfera política, enquanto a base fundamental de sustentabilidade do modelo económico-social para o país. 
Estamos perante uma mudança no paradigma tecnológico! Estabelecendo pontes entre a ciência e a tecnologia, podemos mesmo afirmar, que estamos perante uma nova era, a era do “darwinismo tecnológico”, onde sobreviverão os mais aptos, com mais e melhores competências. Se é certo, por uma lado, que em Portugal temos um quadro científico de excelência que, em muitos casos, está na vanguarda de projetos internacionais. Também é certo, por outro lado, que Portugal precisa de se organizar, podendo e devendo mesmo, na minha opinião, alinhar 3 entidades essenciais para alavancar o crescimento da economia nacional, sendo elas: as empresas, as universidades e os municípios.
Nunca, colocando de lado que, o sucesso ou falta deste, não está somente na implementação das tecnologias mais adequadas, está sim, no foco das pessoas e da cultura para facilitar a transformação, tendo uma perspetiva mais clara em como as empresas podem criar mais valor através dos seus investimentos digitais. Afinal, o exemplo vem do topo!
Os tempos evoluem à velocidade da luz… terão as pessoas a rapidez suficiente de acompanhar o ritmo desta transformação digital? Algo que todos devemos refletir!