O papel da Mulher em pleno século XXI

Diana Silva

2017-03-16

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Já se passou uma semana desde a celebração do dia Internacional da Mulher, o dia 8 de março. E mais do que ser celebrado, este dia deve servir como base de reflexão para todos, Homens e Mulheres.

Tudo começou numa conferência na Dinamarca, no ano de 1910, onde se decidiu que o dia 8 de março passaria a existir como homenagem ao movimento pelos Direitos das Mulheres e como forma de obter Apoio Internacional para a Luta a favor do Direito de voto para as Mulheres, através do sufrágio universal. Só a partir do ano de 1975, este dia passou a ser comemorado pelas Nações Unidas (ONU) como dia Internacional da Mulher.

Hoje, a questão que coloco é muito simples e clara, afinal qual é o papel da Mulher em pleno século XXI?

Se é verdade que em pleno século XX as Mulheres conseguiram alcançar grandes e difíceis conquistas dos Direitos das Mulheres, não é menos verdade que em pleno século XXI, ainda existem desigualdades em termos de progressão da carreira, em termos salariais, em cargos políticos. E perante tal facto é imperativo e mantenho a convicção de que este tema deve ser mantido na agenda política, sim!

Devemos continuar a lutar e ambicionar por uma sociedade mais equilibrada. Uma sociedade que faça justiça às qualificações de Homens e Mulheres. Uma sociedade que dê idênticas oportunidades aos Homens e às Mulheres, e onde não seja necessário as Mulheres terem que lutar o dobro, sofrer o dobro para almejar o mesmo cargo que um Homem conquista sem metade do esforço. Enquanto, líder de uma juventude partidária, e felizmente nunca senti na pele a desigualdade de género, sinto que cada vez mais são as Mulheres que desafiam os estereótipos e decidem associarem-se e integrarem-se numa área ainda associada, muitas vezes, aos Homens: a política. E neste ponto, devemos exigir que as Mulheres ocupem, por direito próprio, todos os lugares, sejam eles políticos, profissionais, associativos ou cívicos.

Sublinho ainda as estatísticas para comprovar a discrepância existente entre Homens e Mulheres. De acordo com dados da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, podemos aferir que os salários das Mulheres portuguesas são inferiores em 17%, comparativamente aos Homens, o equivalente a menos 61 dias de trabalho remunerado. Se olharmos para cargos de topo, e olhando para as estatísticas quanto ao número de Mulheres e Homens que saem do Ensino Superior, verificámos que saem mais Mulheres que Homens do Ensino Superior mas, mesmo assim, a percentagem de Mulheres nos Conselhos de Administração de empresas cotadas, por exemplo, não atinge os 30%.

Hoje em dia, ainda conseguimos observar que existem Estados que continuam a ser coniventes com violações gritantes, no que tem que ver com o princípio basilar da dignidade da pessoa humana, de que são exemplos, a violação sexual e psicológica, os casamentos forçados, a mutilação sexual feminina e as desigualdades laborais e no acesso à educação.

Contra factos, não há argumentos. É notório que a desigualdade é um facto e por isso deve ser combatido. Porque o dia da Mulher não pode ser lembrado apenas uma vez no ano, mas sim, durante todos os 365 dias.

Citando Simone de Beauvoir, “Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância”.