O nosso Rio desaguou na Assembleia

Fátima Anjos

2017-02-16

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Esta quarta-feira, dia 15 de fevereiro de 2017, ficará marcada na história de Vizela como o dia em que foi discutida na sede da Assembleia da República, uma petição que tem em vista a defesa do Rio Vizela.
Podem até dizer que esta discussão não tem na prática qualquer significado, mas eu não penso assim. Esta já teve, por si só, a consequência que se esperava e que era a de alertar, mais uma vez, o poder político para o atentado ambiental de que é alvo este curso natural.
Pois foi esta mesma petição que levou as diferentes forças políticas a apresentarem os Projetos de Resolução/Recomendação que serão votados já esta sexta-feira.

Um dos Projetos será mesmo apresentado por Pedro Soares, deputado do Bloco de Esquerda eleito nas últimas Eleições Autárquicas, pelo Círculo de Braga, que detém responsabilidades acrescidas, uma vez que preside a Comissão do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local.
Isto para dizer que está tudo às claras… Esta petição veio impedir que se voltasse a fechar os olhos para o problema do Rio Vizela, cuja despoluição vem sendo anunciada há mais de 20 anos… Mas que nunca mais se efetiva, permitindo que as populações que vivem nas suas margens possam desfrutar das suas mais valias.

Durante anos soletrei todas as letras de uma sigla designada como SIDVA (Sistema Integrado de Despoluição do Vale do Ave) e que está integrado no Sistema Multimunicipal do Norte de Portugal, abrangendo os municípios de Guimarães, Santo Tirso, Trofa, Famalicão e Vizela. Este veio efetivamente trazer melhorias para aquela que era considerada a “zona mais poluída” da bacia hidrográfica do Ave. No entanto, não resolveu o problema na sua totalidade e aquilo que nos vai parecendo é que as causas estão há muito identificadas. Há quem não esteja ligado ao sistema ou não esteja a submeter os resíduos aos tratamentos obrigatórios, ou seja, há quem esteja a infringir. Mas se existem infratores e estes até estão sinalizados, como é que o nosso rio continua a ser alvo de poluição? Julgo que as autoridades terão de ter mão mais pesada, sendo certo que só o poderão fazer se a legislação assim o permitir… Por isso, mudem-se as leis!

A verdade é que ninguém tem o direito de destruir o que pertence a todos, justificando os seus atos com os custos associados aos tratamentos de resíduos, porque há quem os realize sem que tenha de fechar as portas… Não se pode é querer esticar margens de lucro à custa de hipotecar o futuro do Rio Vizela, com consequências negativas para todas as populações que nasceram e cresceram nas suas margens…

A comitiva vizelense estará por esta hora (em que fechamos a edição do RVJornal) de viagem de regresso a Vizela e o que esta terá de fazer é continuar a ser a voz de um Rio, cujos murmúrios já deram origem a uma música, mas cujo grito de revolta deve estar em cada de nós, de forma a não permitirmos que este morra devagarinho enquanto ficamos de braços cruzados.