O nosso Dia da Independência

Fátima Anjos

2019-03-14

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Com um referendo anunciado para 06 de outubro, não sei se esta será a última vez que iremos comemorar o Feriado Municipal de Vizela a 19 de março. Apenas defendo que esta deverá ser uma data que nunca deverá passar em branco, faz parte da nossa identidade e deverá para sempre ser lembrada para que nunca nos esqueçamos dos valores que um dia nos uniram em torno de uma causa comum, os mesmos que nos deverão guiar no futuro que queremos para a nossa terra. O dia 19 de março de 1998 foi apenas o início, há ainda muito caminho para desbravar. E somos todos responsáveis por isso… 

As comemorações deste ano, e estamos a falar do 21º aniversário, assumem um significado ímpar – com a inauguração dos monumentos de homenagem a Manuel Campelos e ao Povo de Vizela. Há muitos anos que o líder do Movimento pela Restauração do Concelho de Vizela se batia pela edificação de um monumento que pudesse eternizar todos aqueles que se bateram para que se fizesse justiça e fosse concedida a emancipação administrativa ao nosso território. Uma homenagem que Manuel Campelos entendia que se devia estender a todos aqueles que, mesmo não sendo de Vizela, abraçaram esta causa como se fosse sua. 

Uma vontade que será agora cumprida e à qual se juntará uma homenagem à sua memória.  Que a história nos sirva para nos dar uma lição. O amanhã poderá ser sempre tarde demais. Não deixemos que partam deste mundo, sem que lhes seja dada a oportunidade de, em vida, se sentirem retribuídos pelos seus feitos. A manifestação de gratidão é um dos sentimentos mais nobres.

E quando a placa inaugurativa for descerrada e se ouvirem palmas, pensemos também na tristeza que Manuel Campelos vinha manifestando, nos seus últimos anos de vida, ao assistir a uma disputa do poder em Vizela desmedida, onde tudo parecia valer como “pedra de arremesso”. Não havia sido aquela Vizela que este havia sonhado e pela qual tinha lutado.

Erguer um monumento de homenagem a Manuel Campelos e também ao Povo de Vizela será importante não só para os vizelenses mas mais ainda para todos aqueles que romperão, pela primeira vez, pelas portas da cidade e que ficarão a saber de que “matéria é feita” a gente desta terra – a nossa luta e o nosso bairrismo são elementos centrais da nossa identidade coletiva e é essa força, essa vontade e essa capacidade de nunca desistir que continuarão a colocar Vizela no mapa. 

Claro está que não podemos ficar por aqui. Todos sabemos disso… Mas acredito que todos nós, dentro daquelas que são as nossas capacidades, podemos sair da nossa “bolha” e dar o nosso contributo. Porque Vizela merece!

E com muito orgulho afirmo: Viva Vizela!