O NOSSO CURRICULUM NO ÂMBITO DA MÚSICA EM VIZELA - MEMÓRIAS

Pedro Marques

2017-08-03

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Fazendo uma pausa nas nossas crónicas sobre Lagoas e a capelinha de S. Crau para não enfastiarmos os nossos leitores, vamos dar mais uma olhadelinha à nossa reflexão que temos vindo a partilhar sobre para que serve e quanto vale um curriculum. Passados que foram quatro episódios, voltemos a 1967 connosco já em Vizela… E deixemos, por uns tempos, os nossos registos sobre Lagoas e zona periférica. Então, logo após a nossa vinda para Vizela e porque enquanto bancário começámos a ser conhecido na vila e arredores, passámos a ser solicitado para determinados serviços. Quer no apoio às igrejas, quer às colectividades. Fiquemo-nos, por enquanto, na colaboração às igrejas. 
Ao tempo, em S. Miguel, era pároco o monsenhor Monteiro, de quem guardamos gratas e saudosas memórias, o qual, sabendo que éramos organista com algum traquejo de música, logo nos pediu para sermos nós a tocar harmónio na igreja nas missas e actos litúrgicos solenes. Então, o harmónio era de foles e fomos substituir a “menina” Irma. Irmã da esposa do (já falecido) snr. José Lopes do Vale. Já nesse tempo, em 1967, havia em S. Miguel um grupo coral a quatro vozes onde as do Zezé Ferreira e do maestro Costa Vieira eram um portento!  Faziam concorrência à voz do Pavaroti. 
Como já referimos, nesse tempo meia igreja estava ainda em obras.
Entretanto, veio o primeiro órgão electrónico. Para o coro. Depois cá em baixo. Mas no começo e aquando da inauguração da igreja nova, ele estava no coro. E foi no coro que o orfeão de teologia, de Braga, cantou a missa de N. Senhora do Sameiro, composição do P. Manuel Faria. E foi organista o hoje Dr. Costa Gomes de Braga, então recém-ex-candidato ao sacerdócio e apenas a dois passos dele. Este Costa Gomes tinha a auréola de exímio organista.  E por isso o organista foi ele.
Ainda com o órgão no coro, tocámos nós muita vez nele. Lembramo-nos que pela festa do S. Miguel, o grupo coral era lá em cima que cantava na missa do padroeiro e nós o organista. Em vários casamentos lá tocámos também. Num deles, em harmonização de harpejo, a “Ave Maria” de Shubert. De uma dos familiares da pastelaria “Kibom”.Depois, o órgão veio cá para baixo. Para o lado esquerdo do altar-mor. 
 Dos últimos tempos do Monsenhor, recordamos que ele chorava sempre nas missas que celebrava à semana. Após o falecimento do Monsenhor, ficou a substituto o Rv. P. Constantino que já cá estava como coadjutor. Também enquanto organista, muitas histórias nesse tempo aconteceram mas não vamos estar a contá-las.
Já com o Rv. P. Constantino a pároco, uns tempos depois, veio o segundo órgão electrónico – o ainda actual. Cremos que já para o local onde ainda hoje se encontra. Foram então as mãos da nossa pessoa as primeiras a estreá-lo. E a partir de então, passámos a ser, além do organista “oficial” e único, de certo modo e durante uns bons tempos, um “braço direito” do Rv. P. Constantino com do qual passámos a ser colaborador de forma intensa e assídua. Não só como organista mas também como catequista, no ministério da comunhão onde fomos um dos da primeira “fornada” em S. Miguel. Como colaborámos no CPM (curso de preparação para o matrimónio). E noutras valências. Histórias em todo este percurso?... Também, com certeza! 
Nestas duas valências de catequese de crianças e jovens e noivos, démos colaboração na formação e educação da CULTURA específica para tais actos – educação e formação esta, cívica também além da religiosa. E fomos, durante bastantes anos, o secretário do Conselho Paroquial Pastoral. No histórico deste Conselho Pastoral, consultando-se as actas escritas, muitas delas o estão pelo nosso punho. Colaborámos ainda no cartório paroquial. Aquando da criação do Centro Social Paroquial de S. Miguel, logo fizemos parte dos primeiros órgãos sociais, nas funções de Presidente do Conselho Fiscal. 
Passados tempos, esta nossa colaboração na igreja de S. Miguel, ficou reduzida apenas à dimensão de organista. Durante cerca de quase quarenta e cinco anos ininterruptos. Com algumas omissões nos últimos, porque entretanto passámos a colaborar também na igreja de Tagilde, logo após o falecimento do P. João. 
Entretanto e devido a trocas e baldrocas, um relacionamento que pensávamos que estava fundamentado em bons e sólidos alicerces ao longo de meio século de colaboração polivalente onde a amizade e consideração seriam recíprocos, infelizmente assim não foi. E o edifício desta amizade considerada por nós tão sólida e inabalável, ruiu levado na fúria de estranho tsunami. E passámos a ser um ilustre desconhecido neste âmbito de colaboração em S. Miguel.
No apoio às igrejas, mas sem nos desligarmos da de S. Miguel, este não se limitou a esta. Pelo menos duas vezes no ano, o referido P. João (sempre que vamos ao cemitério de Tagilde, lá fazemos uma prece junto à sua sepultura…), pela festa do Divino Salvador e numa outra ainda, nós íamos tocar harmónio a Tagilde. Não sabemos precisar se pela comunhão solene ou primeira comunhão das crianças de lá. O harmónio, para o tempo de então, era ainda bem melhor que o de S. Miguel. Com muitos registos de sons muito variados e de melodias maviosas. Deve andar esquecido em Tagilde nalgum canto da residência. Talvez já roído pelos ratos. É pena que se lhe não dê a atenção e carinho que ele merece. E parece-nos que haverá um outro ainda mais velhinho. Por que não reservar uma das divisões da (que foi) residência paroquial para um mini-museu de objectos de arte-sacra e outra, onde também estes órgãos (harmónio)?... 
Nesses tempos (aí a partir de 1970…) à mesa com o P. João nos sentámos, na residência que o ao tempo Abade de Tagilde considerou a mais imponente das redondezas. Com um belíssimo tecto de masseira que, na implantação da república, de lá foi arrancado e transferido para o “palácio” dos Belos Ares… Mais histórias interessantes e compridas, longas!... Colaboração nossa em Tagilde que o foi ainda por alguns anos. E a Tagilde voltámos em 1996 e fundámos um outro coro a quatro vozes mistas. Durante onze anos consecutivos. E aonde regressámos há dois anos depois de um interregno de nove. E por lá nos vamos mantendo.
Com o abraço amigo de sempre, suspendemos aqui estas “memórias do “quanto vale e para que serve um curriculum”. Dar-lhe-emos continuidade na próxima visita.
Entretanto, cumpre-nos agradecer, reconhecido, às pessoas que nos vêem e connosco vêm ter para nos felicitarem pelos textos que vão sendo publicados. Alguns desses leitores até nos questionam sobre o porquê da omissão de uma ou outra fotografia que em muito viria valorizar ainda mais esta nossa colaboração. Um assunto a ser pensado.