NESSE ESTILO NÃO ME REVEJO

José Borges

2018-11-29

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Eh pá. “Olha que não tens razão naquilo que afirmas”. “Eu, a propósito disso, vi publicado no jornal, precisamente o inverso daquilo que dizes e sendo assim, não tenho dúvidas”. 

Quantos de nós, já nos confrontamos com situações desta natureza, no âmbito dum debate ou discussão com os nossos interlocutores? 

Dantes, quando o jornalismo era maioritariamente protagonizado por homens e mulheres livres, que respeitavam o código ético da função a percentagem da autenticidade da notícia e a opinião publicada era elevada. Assim, e como se dizia no Portugal profundo, uma palavra dada era uma escritura e uma palavra escrita era sagrada. Na atualidade, a multiplicidade de órgãos e meios de informação ao nosso dispor, muitos deles patrocinados por grupos ou lóbis de interesses inconfessáveis, trucidaram aquele princípio. Forçam-nos a ler duas fontes e no final formular a nossa própria opinião. 

O jornalismo, enquanto fenómeno que nos (in)forma, tem um conceito universal. Contudo, o seu papel, varia consoante a liberdade, que os regimes proporcionam aos seus agentes. Numa democracia como a nossa, a liberdade de imprensa inscrita na nossa Constituição, serve de apólice de seguro aos homens e mulheres livres e independentes para nos (infor)marem com rigor e isenção, libertando-se do emaranhado de teias oriundas em redações que apenas dão privilégio ao sensacionalismo que tem apenas como objetivo “engordar” o número das audiências à custa dos incautos.  As nossas televisões, e os nossos jornais, consomem um sem número de horas e páginas, na divulgação de notícias e debates fúteis e histéricos alimentados pela febre alienante da bola, que gira nos clubes denominados grandes (no tamanho), incrementando cada vez mais a macrocefalia do nosso futebol, com as consequências nefastas que daí resultam. 

Recentemente, foram julgados em última instância os protagonistas do caso BPN que nos vilipendiaram seis mil milhões dos nossos impostos. Poucos saberão o desiderato final. 

Estavam todos ocupados com o ex-presidente do Sporting. Nesta forma de informar NÃO ME REVEJO.