MEUS SENHORES… PONHAM-SE NA RUA!!

Fátima Andrade

2019-01-17

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Estar na política pode e deve ser um ato de nobreza se estiver na base daquilo que se pretende ver num político: estar ao serviço dos seus eleitores, trabalhando para melhorar a vida dos cidadãos e do seu país, num conceito de serviço público.
2019 é ano de eleições e logo de movimentação política extraordinária, nomeadamente no que concerne à escolha dos candidatos pelos partidos dos próximos titulares que se sentarão na Assembleia da República ou no Parlamento Europeu com o objetivo de representar os cidadãos portugueses e defender os seus direitos, propondo soluções para uma melhoria das condições de vida dos portugueses aos níveis nacional e europeu.
É o momento próprio de se fazer uma reflexão sobre aquilo que interessa e defende verdadeiramente  os portugueses no nosso país e em Bruxelas, sede do Parlamento Europeu.
Esperam os portugueses que os partidos ao indicarem os representantes de todos nós, usem da maior parcimónia na referida escolha.
As notícias vindas a público sobre as variadas irregularidades perpetradas por alguns deputados da Nação, é de deixar qualquer um sem palavras, atendendo ao facto de aqueles serem os legítimos representantes do Povo na Assembleia da República, cabendo-lhes a feitura das leis  e diplomas que regem todos os Portugueses.
Foram 20 os processos instaurados a Deputados da Assembleia da República, durante o ano de 2018, por irregularidades várias, sendo certo que 4 deles foram já arquivados.
É um cenário grave e transmite a ideia de que quem nos representa ou deveria representar com dignidade, está mais interessado em arrecadar os subsídios que puder, mesmo que para tal tenha de inventar moradas fantasmas, fechar os olhos ao extrato bancário, quando ele revela duplicação de pagamentos de subsídios, arrecadar bilhetes para idas ao futebol, fuga ao fisco, inventar habilitações académicas, acrescentar currículos que nunca tiveram, e até manifestar o dom da ubiquidade, estando em qualquer festa ou romaria e, ao mesmo tempo, participando nas sessões do plenário. E, se alguns mostrarem alguma relutância pelas evidências de tamanhas irregularidades, lá aparecerá sempre uma ou outra alma caridosa, capaz de reverter todo o sistema, sob o falacioso argumento de consultar o repertório guardado no computador do colega, registando-lhe, de imediato, a presença, mesmo  que aquele se encontre a centenas de quilómetros.
Depois, eis que alguém deteta o “lapso”, mas mesmo assim e perante a prova evidente da falta de vergonha reinante, lá aparece uma qualquer alma penada que diz ser do Alto Minho e que “ali não há virgens ofendidas”, porque há muito se tinha perdido a virgindade por aquelas bandas!!
Pobres criaturas que nos enchem de vergonha, ao termos cegamente votado em quem não conhecemos, nem constatado o único intuito que os move: enriquecer à custa do erário público! 
E ainda há quem se admire pela cada vez maior descredibilização da classe política? 
 E valerá a pena tanta admiração pelos elevados números da abstenção, seja qual for a eleição em causa?
Apesar de tudo, no meio deste verdadeiro lodaçal, onde a ética, a honra e a vergonha deixaram de figurar, encontram-se uns tantos resistentes  que  continuam a acreditar que é possível mudar o Mundo, é possível ser sério e ostentar com orgulho a bandeira da defesa pela igualdade, pela honra e pela verdadeira causa que deveria movimentar os políticos: Prestar serviço público, melhorando a vida dos Portugueses. 
Deveremos apontar o dedo somente aos Deputados da Nação? - São contas para um próximo rosário…Mas o certo é que é um verdadeiro pesadelo para todos nós.