Memórias de um Congresso

Pedro Marques

2018-06-14

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E o SONHO, que vivemos acordados, acabou! É que foi, na verdade, um sonho! Começado a ser vivido em finais de Janeiro (dia vinte e cinco), num crescendo de entusiasta ansiedade e sempre com coisas novas a aliciar-nos pelo caminho. E de tal modo também tão motivadoras, ao ponto por três vezes termos ido a Tarouca. Tínhamos de ficar a conhecer melhor ficarmos a conhecer “por dentro”: mais que a história do concelho, a alma do seu POVO. E este sonho consumou-se nos dias vinte e cinco e vinte e seis de Maio passado.
O Congresso repartiu-se por dois dias. Cheios de intensos temas que se debruçaram sobre a história e etnografia e arqueologia de Tarouca. E sobre o demais património imaterial das contos e das lendas. Como também do seu património material e geográfico: dos conventos às pontes; de templos de dimensão mais pequena e origem menos de impacto; às pontes românica de S. João de Tarouca e à medieval de Ucanha. 
A gastronomia foi também um prato que se comeu a mesa. E onde não faltou a incontornável e deliciosa refeição dos “milhos”: por duas vezes servida com requinte na tasquinha do Matias; e no sábado à noite, lá em cima na Quinta da Lavaria no “jantar do Aio”. 
No património geográfico, se nos ficou o encanto das freguesias visitadas, onde sempre se respirou o aroma dos sabugueiros em flor, e se ouvia sempre o sussurro das águas do Varosa no acidentado das encostas e nas fragas a faiscar de prata, ficou-nos também a paisagem maravilhosa que se pôde apreciar de lá do cimo da serra de Sta Helena e seus miradoiros, com horizontes rasgados para o Marão, serra de Meadas e outras. E de onde é possível ver-se terras da Lapa à serra da Freita com retalhos dos concelhos de Lamego, Armamar, Moimenta da Beira e Castro Daire.
Aos temas acima referidos e debatidos no “Tarouca Vale a Pena”, juntemos-lhe ainda nacos de literatura em prosa e em verso. E tantos foram os poemas que se debruçaram, da realidade ao fantástico, sobre a etnografia local! Vejamos os temas tratados nas diversas sessões do Congresso: “Surpresa da Borboleta”; “Alice no vale dos Subugueiros”; “O Sonho de ser Criança”; “ A Casa Mágica”; “O Ganso Patola”; e “Ciência, Magia e Livros – um casamento perfeito ( inédito! Um casamento a três!!!). Todos estes temas, debatidos no auditório do centro Escolar de Tarouca, tiveram como público-alvo as crianças, pois que de literatura para a infância se tratou.
Em Várzea da Serra, freguesia serrana sita no planalto de Sta Helena mas de riquíssimos pergaminhos de uma “beetria” governativa e que foi sede de vila e de concelho, com administração de Justiça de que é testemunho o pelourinho no largo da património habitacional antigo, verdadeiro museu arqueológico, no amplo espaço da igreja nova, os temas foram da história e etnografia aos contos e lendas. Com temas desde a “Influência das raízes na Escrita”; de “Um Património Cultural a Preservar”; de “As Casas e os Homens”; da “Histórias de um Lugar” aos “Moinhos da gente e gente dos moinhos” e “Moinhos e paisagens”, até ao “ao Foleiro do órgão de Tubos”; e o “Autor e as suas crónicas Alcoutejanas”; “Dois viseenses, dois militares, dois autores” e “História da minha Vida. Nasci numa palheira”.
Em todas as apresentações de todos os temas nas respectivas sessões foram feitas intervenções e debates no momento chamado de “palavras soltas”, com maravilhosas intervenções em jeito de rodapé aos temas apresentados e que mais vieram a enriquecer e aprofundar o poder de alcance e de conhecimento de todos os presentes. Ainda no dia vinte e cinco e agora no espaço museológico de Salzedas, a sessão teve como temática a Poesia, onde se fez a declamação de bastantes poemas de oito autores e pelos próprios. À noite. Na “Quinta da Lavaria” e de novo no planalto de Várzea da Serra, estavam previstas várias intervenções de mais poetas. Numa espécie de tertúlia de conversas à mesa. No entanto, ao sermos recebidos logo à entrada com uma farta e comprida mesa de “entradas”- e que “entradas”! – e dado que era já um pouco tardio e de noite com o estômago de todos a dar horas, quando fomos para os lugares nas mesas do enorme salão e com música ambiente adequada, a tertúlia limitou-se à conversa dos companheiros de cada mesa. E não houve, deste modo, as intervenções previstas. Se se perdeu o enriquecimento dos temas, ganhou-se no estreitamento dos laços de amizade que já existiam e na criação de novas amizades, que irão perdurar no tempo e dar os seus frutos.
No dia seguinte de manhã, ainda mais intervenções: de temas sobre Tarouca a temas de saúde em determinadas investigações “no terreno” exemplificadas e quantificadas em termos estatísticos. Houve ainda a presentação de “Quadros sobre modos de ser e viver em Trás-os-Montes, a que se seguiram as “palavras soltas” e ainda a apresentação do “Dicionário dos Autores”. Com as intervenções dos edis e dos palestrantes da Mesa que presidiu aos trabalhos, estes prosseguiram de tarde mas em termos de “tour” com a visita de todos a diversas freguesias do concelho pelo Vale do Varosa, com passagem e paragem (e que paragem!) nas Caves da Murganheira onde foi servida uma “Murganheira d’Honra”. E aqui na Murganheira, com a entrega dos certificados da participação dos trabalhos, foi dado por findo o evento do “Tarouca Vale a Pena”. Foi interessante e foi lindo, para além das visitas às ruínas do convento de S. João de Tarouca e da sua igreja, imponente na sua riqueza austera onde o órgão de tubos se eleva, passear-se pelos pomares de sabugueiro, no esplendor da sua floração tão aromática.
 Viveu-se um SONHO. Sonho este que irá perdurar ainda por mais alguns dias. O SONHO  desta nossa experiência única, inédita e que já criou raízes e das quais irá nascer, pela certa, frondosa e robusta árvore dos autores presentes e de outros que virão.
Meus amigos, “valeu mesmo a pena” a vivência de experiência tão rica num universo de mais de duzentos e cinquenta autores, vindo do Algarve ao Alto Minho, abrindo-se em cruz desde o interior das Beiras até ao litoral poveiro.
Parabéns, Tarouca!
Com o nosso abraço a Tarouca e a todos os nossos leitores, este vosso amigo