Mais vale tarde que nunca

Pedro Oliveira

2017-08-10

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Finalmente, foi anunciada a suspensão do mandato na Cooperativa da Rádio Vizela do seu Director Dr. Armindo Faria.
Tal como havia sido denunciado, quer pelo Partido Socialista, quer pelo seu candidato João Ilídio Costa, e mesmo por outras forças políticas, há muito que o Dr. Armindo Faria não reunia as condições necessárias para se manter à frente da Cooperativa da Rádio Vizela: - por estar envolvido directamente numa candidatura política, sendo o relator do seu programa eleitoral; - por organizar e moderar tertúlias com o Movimento - Vizela Sempre, associação sem fins lucrativos mas de carácter político, sic página Vizela Sempre - Victor Hugo Salgado> 2017 “no passado dia 15 de Outubro de 2016, foi constituída a Associação Vizela Sempre, uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, com carácter político, que se rege pela lei portuguesa em vigor e pelos seus estatutos”.  Fê-lo, agora, mas depois de se ter servido da sua posição,  arrastando assim a Rádio Vizela e os seus membros redactoriais e sociais para uma acentuada desconfiança pública. Como cidadão assiste-lhe o direito de participar activamente na vida política, eventualmente até compatível com os estatutos da própria rádio contudo, eticamente, sendo o único meio de comunicação da terra, deveria ter saído imediatamente e mostrado desapego ao lugar, como outros candidatos de partidos políticos o fizeram, que inacreditavelmente tanto criticou. Com esta decisão, demonstrou apenas egoísmo, falta de sentido de responsabilidade e cultura democrática no modo como os seus textos iam sendo escritos, acabando por afectar a própria imagem e credibilidade do movimento político que integra. Bem mais grave, contudo, quando verificamos o silêncio ao longo do tempo do próprio Movimento Vizela Sempre, aceitando tacitamente a situação, sem manifestar algum incomodo ou mal-estar, face aos favorecimentos implícitos; a desigualdade de tratamento dado quer à informação quer aos diversos artigos de opinião tratados de maneira diferente, dependendo dos seus autores e do posicionamento político respectivo (assunto que tivemos a oportunidade de chamar a atenção de maneira consequente) são um sinal claro desta grave situação.
Mas vejamos: nestas mesmas condições, e cremos que apenas no Movimento - Vizela Sempre, fazem parte da candidatura ainda não sabemos em que moldes e em que posição outros elementos cooperantes da Rádio Vizela. Um deles é um notório apoiante que interfere directamente na organização da pré-campanha do movimento político, desenvolvendo actividades de campanha junto dos cidadãos. As perguntas que se colocam face a tudo isto são as seguintes:
- Onde começam e acabam os limites da Rádio Vizela e do próprio Movimento, em termos de imagem, direitos e defesa de interesses individuais e colectivos?
- Onde estão os princípios de neutralidade e imparcialidade e não descriminação por partes dos seus membros, na difusão e tratamento da informação que, antes de mais, deveriam ser zelados e defendidos pelo agora ex-presidente Armindo Faria e por colaboradores que exercem o trabalho dentro do meio de informação local?
Por muitas desculpas e justificações que o Dr. Armindo Faria venha a apresentar, o seu curriculum ficará para sempre manchado, não restando já condições sérias para o seu retorno à Cooperativa, após o dia 8 de Outubro, como também definiu.
Vagueando pelas redes sociais, não se percebe o entusiasmo do Dr. Armindo Faria e seus apoiantes, quando ao longo do tempo criticavam despudoradamente terceiros, essencialmente o Partido Socialista e o seu candidato, sem qualquer vergonha e sem minimamente acautelar os deveres de isenção e princípios de neutralidade que a sua dupla condição impunha, como cidadão e como Director do único meio de comunicação de Vizela.
Em resumo: o novo integrante político da candidatura do Movimento - Vizela Sempre, serviu-se durante todo este tempo, enquanto Presidente do Conselho de Administração da Cooperativa, para discriminar outras candidaturas políticas e não saber zelar, nem defender a boa imagem desta e dos seus membros. O Dr. Armindo Faria não soube separar as águas, em tempo, acabando assim por sair pela porta pequena, como pequenos são os que apenas sabem criticar negativamente, e arrastou consigo a imagem que o Movimento - Vizela Sempre tem para a maioria dos vizelenses: passado, despudor e vingança. Como diz a sabedoria popular: bem começado é sempre meio caminho andado, mas ao invés, quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita.

 

Nota de Redação

O Conselho de Redação da Rádio Vizela vem por este meio repudiar veementemente as afirmações redigidas pelo Sr. Pedro Oliveira, nomeadamente as que colocam em causa a seriedade e o profissionalismo deste corpo redatorial que trabalha diariamente para prestar à nossa população um serviço público de excelência, reconhecido ainda recentemente e publicamente pelo Presidente da Comissão Política do Partido Socialista e também pelo candidato deste mesmo partido à Câmara Municipal de Vizela.

Um corpo redatorial que tem dado eco a todas as informações disponibilizadas por cada uma das forças políticas candidatas nas Eleições de 01 de outubro e que tem feito cobertura, sem exceção, de todas as iniciativas levadas a cabo.

Um corpo redatorial que integra um jornal, que nunca negou a publicação de quaisquer artigos de opinião, nem que os mesmos tenham como intuito colocar em causa a sua idoneidade, como é o caso deste que acaba de escrever. 
Se tem dúvidas quanto à igualdade de tratamento, terá de conversar com os membros de outras forças políticas, pois ficará com a certeza de que estes lidam com as mesmas regras e que são apenas duas - o limite máximo de carateres e o prazo limite de entrega para publicação. O que julgamos que ainda não percebeu é a diferença que existe entre aquilo que é um Artigo de Opinião e um Direito de Resposta. 
Depois de ficar conhecer as diferenças, este Conselho de Redação acredita que se venha  a retratar junto deste corpo redatorial, porque este deveria merecer-lhe mais respeito do que aquele que manifesta com estas suas palavras. Em causa está uma equipa de jornalistas que faz cobertura de Eleições Autárquicas desde 2005, não lhe sendo conhecida nenhuma chamada de atenção por parte da Entidade Reguladora para a Comunicação mas também um jornal sério e pluralista que sempre lhe cedeu espaços em branco para que pudesse expressar livremente as suas opiniões junto dos nossos leitores.