Luta pela Vida

Fátima Anjos

2020-03-19

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Enquanto fechávamos a edição desta semana do RVJornal ainda aguardávamos que o Presidente da República falasse ao país o Estado de Emergência, que vigorará entre 19 de março e 02 de abril e que será passível de eventuais renovações.
Entretanto, só esta quinta-feira deveremos ficar a conhecer, em concreto, e depois de reunido o Conselho de Ministros que medidas serão adotadas no decorrer deste período e que terão influência direta nos direitos de circulação e liberdades económicas.
Estamos a viver um período completamente novo, que nos obriga a uma forma de estar na vida distinta daquela a que nos habituamos e que tínhamos como adquirida. Resta-nos ter a esperança de que este período de quarentena a que seremos sujeitos acontece por um Bem Maior – prevenir a transmissão do vírus, como forma de conter a expansão da doença,  salvaguardando a saúde de todos nós. É, sem dúvida, o mais importante.
Costumo dizer que só não há solução para a morte. É verdade. Mas os próximos tempos adivinham-se duros, vão servir de teste à nossa resiliência e à nossa capacidade de dar a volta por cima. Mesmo assim, este não será um caminho que poderemos trilhar sozinhos. Precisamos de um Governo forte e disposto a salvar a economia nacional não permitindo que uma “hecatombe” se abata, principalmente, sobre as pequenas e médias empresas. Precisamos de um Governo forte e disposto a estar ao lado das famílias, cuja situação vivida significa ou virá a significará uma perda de rendimentos significativa, comprometendo a regularização dos seus compromissos, a maioria relacionados com o acesso a bens de primeira necessidade como é o caso da Habitação.
Precisamos também de nos manter unidos e dispostos, cada um com as suas armas, a fazer parte de uma corrente solidária, permitindo que a iniciativa privada possa ser também uma alavanca na supressão das dificuldades vivenciadas pelo próprio Sistema Nacional de Saúde (e aplaudimos a iniciativa do dirigente Vítor Magalhães na oferta de dez ventiladores, e do Grupo Lasa, liderado por Armando Antunes, na disponibilização de bens, neste caso, têxteis-lar ao Hospital de Braga). Não esquecer ainda a tomada de posição da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção, presidida pelo vizelense César Araújo, e que veio a público afirmar que os seus associados estão dispostos a disponibilizarem as suas unidades produtivas para fazer equipamentos de proteção.  Mas que possa também esta iniciativa privada ser crucial no apoio às famílias (e aqui aplaudimos o gesto do vizelense Luís Dias que colocou a sua empresa de distribuição ao serviço dos idosos da região).

Ou seja, não haverá outra alternativa senão a de seguirmos este caminho juntos.  Não será fácil para ninguém.  Mas temos de encarar a realidade. Exatamente 22 anos depois de Vizela ser concelho, Portugal entrará em estado de emergência. Que a mesma força que nos uniu há 22 anos atrás nos mova nas batalhas que temos pela frente. Coragem.