Habituem-se, que isto só agora vai começar!

Carlos Alberto Costa

2017-11-09

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Sob o lema “é tão digno servir Vizela no poder como na oposição”, o Grupo Municipal do Partido Socialista iniciou o seu mandato na sessão extraordinária da Assembleia Municipal realizada no dia 30 de outubro, com muita vontade de honrar e dignificar o poder local.
Com um acordo estapafúrdio entre o Movimento e a Coligação, a oposição na Assembleia Municipal ficou restrita ao Partido Socialista. Seremos uma oposição crítica e firme mas realista, construtiva e propositiva.
Foi com esta postura que participamos na 1ª sessão da Assembleia Municipal, apresentando as nossas propostas com os nomes das personalidades que nos pareceram mais adequadas para serem eleitas ou designadas para os cargos propostos na ordem de trabalhos, não tendo nenhuma delas contado com a intervenção de qualquer deputado municipal do Movimento ou da Coligação.
Estranhamos, por isso, que o líder da bancada do Movimento VHS, que se manteve calado ao longo de toda a sessão, viesse, no final, dizer à Rádio Vizela ter ficado surpreendido com o Grupo Municipal socialista, criticando algumas das nossas propostas. Porque não o fez aquando da discussão das propostas? Bem sei que era a sua primeira vez, mas a inexperiência não explica tudo.
Mais estranho, ainda, foi o comportamento do senhor presidente da Câmara que usou indevidamente da palavra para se pronunciar sobre uma proposta do Grupo Municipal do Partido Socialista com a qual nada tinha a ver já que o assunto dizia apenas respeito aos deputados municipais, o que levou o líder municipal do PS a pedir a palavra para o mandar calar. 
Como não conseguiu condicionar-nos ou intimidar-nos, esperou pelo final da sessão para afirmar aos microfones da Rádio Vizela ter ficado “claro e patente algum desnorte nas decisões que foram assumidas” e acusar os socialistas de “gozar com a democracia”.  Como líder do Grupo Municipal do Partido Socialista digo que as afirmações de Victor Hugo Salgado são graves, incompreensíveis e inaceitáveis e que o PS não recebe lições de democracia do Presidente da Câmara.
O PS não recebe lições de democracia de quem não respeitou o resultado duma votação democrática ocorrida nos órgãos do partido, a 14 de maio de 2016, para a escolha do candidato à presidência da Câmara Municipal.
O PS não recebe lições de democracia de quem um dia diz que aprovou todas as propostas, todos os orçamentos, todas as contas e todos os subsídios da Câmara Municipal e, no dia seguinte, já diz que discordou de algumas decisões.
O PS não recebe lições de democracia de quem um dia diz que não há qualquer problema em tornar público o acordo entre o Movimento e a Coligação e, no dia seguinte, já diz que não lhe cabe divulgar esse documento.
O PS não recebe lições de democracia de quem não divulga os despachos de nomeação dos membros do Gabinete de Apoio à Presidência e aos Vereadores e que serão fáceis de conferir através de pesquisa no Diário da República, quando até ao dia de hoje (terça-feira) nenhum deles foi publicado.
E para quem diz que os deputados municipais do PS estavam desnorteados, gostava que os vizelenses soubessem que desnorteado esteve quem (o Presidente da Assembleia) alterou os procedimentos das votações no decorrer da sessão. 
E para quem diz que os deputados municipais do PS estavam desnorteados, gostava que os vizelenses soubessem, também, que desnorteado esteve quem (o Presidente da Assembleia) enviou para a comunicação social (Diário Digital de Vizela) uma agenda de trabalhos diferente da que foi enviada para os deputados municipais, pois incluía um segundo ponto n.º 1.12 com o seguinte teor: proposta de aprovação de apoio financeiro à Santa Casa da Misericórdia no montante de 160.000,00 euros, aprovação da minuta de protocolo a celebrar com a Santa Casa da Misericórdia e ratificação da deliberação tomada pela camara sobre esta atribuição, na sua reunião de 22.05.2017.
E para quem diz que os deputados municipais do PS estavam desnorteados, gostava que os vizelenses soubessem, ainda, que desnorteado esteve quem não providenciou (Presidente da Assembleia) a folha de presenças para assinatura dos deputados municipais e se preparava para encerrar a sessão sem que os deputados municipais assinassem a presença. Nós, por cá, continuamos com muita vontade de honrar e dignificar a Assembleia Municipal. Relegado para a oposição, o Partido Socialista precisa e tem um Grupo Municipal que se possa afastar do passado, mas, ao mesmo tempo, pautar o combate político por um grande respeito institucional e por uma grande capacidade de nunca se perder de mente aquilo que é essencial, que não são os partidos, as coligações ou os movimentos, mas os vizelenses.
Expurgado daqueles que se serviram sempre do partido para ocupar cargos no poder local para satisfazer clientelas e interesses particulares, o Partido Socialista de Vizela é hoje um partido onde se respira democracia, onde se discutem ideias e em que todos vão ser chamados a participar na construção de um projeto de desenvolvimento e crescimento duma cidade e dum concelho que ainda não foi capaz de se afirmar tanto quanto queríamos.
Saberemos exercer a nossa atividade de acompanhamento, fiscalização e crítica das orientações políticas desta Coligação alargada que nos vai governar. 
Exigiremos o cumprimento integral do direito de oposição que integra os direitos, poderes e prerrogativas previstos na Constituição e na lei.
Habituem-se, que isto só agora vai começar!