Falta um Partido para o Futebol

Manuel Marques

2019-10-10

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Os eleitores, ou pior, metade dos eleitores, de Portugal ocorreram no passado domingo às mesas de votos para escolherem os seus representantes para os próximos quatro anos numa extensa lista de 21 candidatos qual primeira eliminatória da Miss Portugal.

Depois das habituais ladainhas do costume sob os holofotes das televisões onde cada qual faz as contas de merceeiro à sua maneira (dificilmente alguém considera que perdeu bem e se porventura algum mestrado admite minimamente o fracasso, atribui a culpa ao árbitro…) o cortejo de 230 deputados (um número exagerado de corpos no hemiciclo que ninguém explica) lá segue rumo ao palácio que tem o nome de S. Bento, patrono dos vizelenses, da Alemanha e da Europa.

Eu entendo que haja necessidade de as televisões disporem na cabo de canais temáticos pois circunscrevem os gostos de cada telespetador, seja para a vertente desportiva, vida animal, culinária, cinema, etc., já não entendo a participação de partidos temáticos, senão vejamos: o PAN surge como uma força de defesa dos animais e natureza, certo? Pergunto: há algum manifesto eleitoral, dos mais díspares candidatos que não inclua estas vertentes que não se proponha defender os animais e natureza? E o Partido dos Reformados? Há algum partido ou coligação que não defenda os reformados? E o fim da corrupção? O clientelismo, etc.? Ainda outra pergunta: quem seleciona candidatos para a sua lista baseia-se em quê? Onde os viu jogar, mostrarem provas de que servem para deputados? Ou para deputado serve qualquer um?

É previsível que daqui por quatro anos em lugar de 21 casinhas no boletim de voto haja o dobro ou até mais, prevendo-se que os boletins de voto passem a ter o tamanho dos lençóis.
Não surpreenderá nada, por isso, se lá para 2023 surgir PDF-Partido Do Futebol dado que o desporto rei, mesmo sem Monarquia, consegue movimentar mais adeptos do que o CNE eleitores. E há tanta política no futebol para desbaratar…

Foi pena o nosso vizinho Tino de Rans não ter apostado na fundação do Partido do Futebol em lugar do RIR (partido que não teve graça nenhuma)! A esta hora tinha lugar garantido (ele e mais alguns) no Parlamento e quiçá o António Costa a puxá-lo pelo casaco para uma inevitável Geringonça II.