ESTIMULE-SE O CÉREBRO

José Borges

2019-06-19

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Recentemente, ouvi um documentário, em que o seu promotor defendia a tese, de que o homem moderno, aquele que descobriu o computador, rapidamente pode ficar dependente do mesmo, na forma como pensa e funciona. Como é sabido, o computador pensa e atua em sistema binário (0 1, e não tem alternativa para dar respostas, que não se enquadrem nesse princípio. Ou seja, ou é preto ou é branco. O homem, dotado de um cérebro, por comodidade ou egoísmo, cada vez mais, parece funcionar também em sistema binário, evitando pensar, e chegar à conclusão, de que entre o preto e o branco, existem inúmeros cinzentos. Afinal, vem isto a propósito de quê neste espaço reservado a temáticas de âmbito desportivo? Tem tudo a ver. Basta olhar para o lado, e verificar o miserável ambiente que se vive em torno da nossa atividade desportiva, muito por culpa dos seus agentes de topo, que não são capazes de olhar para os interesses do fenómeno no seu todo, concentrando-se avidamente na defesa das suas cores. Os adeptos, estão genericamente formatados para abdicar da racionalidade, e dar prioridade à emoção, que muitas vezas colide com os reais interesses dos seus próprios Clubes. Os dirigentes, que suportam a pirâmide organizacional do nosso futebol, (Federação, Associações e Liga) devem rapidamente libertar-se de pensar e atuar em binário. Ou seja, reconhecer, que para além dos ricos e remediados, existem também os pobres. E estes, são o grosso da coluna. O Campeonato de Portugal, organizado pela FPF, torna-se exemplo acabado do que é uma injustiça e cobardia, por parte de quem dirige a Federação, órgão supremo na organização do nosso futebol. Contudo, e independentemente do seu poder, não deixa de estar submissa aos interesses egoístas e mesquinhos da Liga, que na defesa do indefensável, lá vai impedindo que se promovam alterações aos quadros competitivos, que impliquem a despromoção de mais equipas das suas competições. Muito boa gente, vem defendendo que o Campeonato de Portugal se dispute em três series de 18 equipas, e que os três vencedores sejam promovidos aos campeonatos profissionais. Uma pretensão lógica, justa e coerente com os princípios daqueles que atuam e pensam com o cérebro liberto de preconceitos. Tome-se como exemplo, o que se passou no campeonato que agora terminou, e que viu serem promovidas duas equipas, que independentemente dos seus méritos, nem sequer foram as equipas, que venceram as suas séries. Na próxima época, lá vem o Vitória B, o Braga B e o Sporting B para o campeonato dos pobres. Pelos regulamentos, que os protegem e pelo potencial, que se lhes reconhece, poder-se-ão reconhecer como três galos para dois poleiros. E os outros?
Somos campeões da Europa e vencemos a Liga das Nações Europeias. Estas vitórias e outras participações renderam à Federação o encaixe de 137 milhões de euros. 
Valor mais que suficiente, para adquirir uma capa, que esconde que na sua essência o Rei vai nu.
Levante-se quem puder.