EM NOME DA MEMÓRIA

João Ilídio Costa

2019-07-11

Partilhe:


“Muito débil é a razão, se não chega a entender 
que há muitas coisas que a ultrapassam” (Blaise Pascal)

 

Aquando da minha renúncia ao mandato de Vereador na Câmara Municipal de Vizela, por razões suficientemente sustentadas na altura, teci considerações sobre o “agitar das águas”, caraterizando em três estados de alma as situações que surgem quando isto acontece, a saber:
- Alguns assustam-se e fogem;
- Outros baixam a guarda e esperam para ver o que realmente acontece;
- Outros começam imediatamente a dar palpites e a especular.
Consciente desta realidade, também escrevi que quem perde os bens perde muito, quem perde um amigo perde mais, porém quem perde a coragem perde tudo. Depois de passar para o papel a síntese do que pensava, senti-me confortado e tracei um outro objetivo imediato, consubstanciado no princípio de que a vida só pode ser compreendida olhando para trás, mas que só pode ser vivida olhando para a frente, sendo isso que adotei como lema, olhar pouco pelo retrovisor e olhar muito em frente.
No entanto, às vezes somos forçados pelas circunstâncias a ter de olhar um pouco mais pelo retrovisor, porque de facto é verdadeira a afirmação de que quem não compreende desespera e, porque não quero entrar nesse estado de espírito, decidi “em nome da memória”, socorrer-me de alguns elementos para colocar alguma “ordem na casa”, já que a pretexto de tudo e mais alguma coisa, se afirma que o concelho de Vizela é sociologicamente socialista (dito pelo senhor Presidente da Câmara após as Eleições Europeias …) e que, só nas Eleições Autárquicas de 2017, o povo, porque não se revia no candidato socialista, decidiu fazer outra opção.
Por quem Deus havia de mandar o recado!
Logo por alguém que, contrariando a sociologia, decidiu aliar-se a não socialistas para poder exercer o poder, relegando de facto os socialistas para a oposição, seguramente pela vingança mesquinha de quem não lhe permitiu obter a “maioria absoluta”, como até então tinha acontecido no concelho de Vizela. Porém, não é preciso ser um matemático muito elaborado para perceber que, quando se divide o todo, o resultado é obviamente diferente.
Fazendo justiça ao título, queria “em nome da memória” lembrar que, com o símbolo da Câmara Municipal de Vizela, em janeiro de 2017 (ano de Eleições Autárquicas), o atual Presidente da Câmara, Victor Hugo Salgado, na altura Vereador, mandou efetuar a realização de “um estudo de opinião”, contemplando as Freguesias de Santa Eulália, Infias, Vizela (Santo Adrião), União de Freguesias de Caldas de Vizela (São Miguel e São João) e União de Freguesias de Tagilde e Vizela (São Paio), que o colocava exatamente naquilo que ele aspirava a ser “o senhor absoluto do quero, posso e mando”, ou seja, com uma maioria absolutíssima.
Em jeito de conclusão, o estudo colocava “preto no branco” que

Victor Hugo Salgado (independente) teria 54% dos votos
Dinis Costa (PS) - 17%
Jorge Pedrosa (PSD-CDS/PP) - 25%

Outros Partidos/candidatos - 4%
Ora, como todos bem sabem, não foi isto que aconteceu: o povo de Vizela não concedeu maioria absoluta a ninguém, como até então tinha acontecido, pois, quando colocou o voto, decidiu primeiramente fazer uma experiência parcimoniosamente, da qual provavelmente já se encontra arrependido, porque o “independente socialista” já demonstrou que de socialista tem muito pouco, sendo que, e apenas a título de exemplo, refiro que a última medida por si patrocinada, ao impor a “lei da rolha”, faz lembrar tempos de má memória.
O estudo de opinião a que tenho aludido deveria ser público, já que usou o símbolo do município, o que é uma forma capciosa, quando não autorizado, de manipular as consciências; no entanto, se houver dificuldade na sua consulta, terei todo o gosto em facultá-lo a quem o solicitar.
Não poderia acabar este artigo de opinião sem uma recomendação e um voto: uma recomendação, já muito antiga pois remonta aos finais do século XIX, mais propriamente a 1875, que recria uma passagem pelo “Zé Povinho” e o seu emblemático “manguito”, acerca de quem paga tudo isto, e um voto para que todos os Vizelenses tenham umas Boas Férias … na medida do possível…
Até breve!

PS: última hora,
Se as sondagens nacionais estiverem certas, teremos pela primeira vez uma Deputada do Concelho de Vizela na Assembleia da República.