Editorial 30 de maio de 2018

Fátima Anjos

2018-05-30

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O Regulamento Geral da Proteção de Dados entrou em vigor na passada sexta-feira, dia 25 de maio, abrangendo todas as empresas e organizações e acabando por colocar tudo em alvoroço. Principalmente, porque ouvimos falar em coimas que podem chegar aos 20 milhões de euros.

Já todos sabíamos que ele ia chegar, o que talvez ainda não tínhamos percebido é que o dia 25 de maio ia chegar tão rápido, arriscando-me a dizer que talvez a maioria não se tenha preparado para aquilo que aí vinha, procurando, por isso, à última da hora, situações de recurso para garantir que as regras sejam cumpridas.

Entretanto, o consumidor comum, aquele que foi bombardeado com sms ou email’s com pedidos de autorização, todos eles a cair no telemóvel em simultâneo, acabou por ficar sem saber que resposta dar sob pena de ser ou não prejudicado com a mesma. A maioria não terá sequer respondido.

A esperança da maioria é que a aplicação deste regulamento venha a impedir a comercialização dos nossos dados, deixando de nos fazer alvos fáceis, principalmente das vendas agressivas. Isto para não irmos mais longe.

Nunca se questionou, porque é que determinado canal da Internet de cariz comercial insiste em vender-lhe um carrinho de bebé, quando só pesquisou uma vez sobre o desenvolvimento de uma gravidez num site de saúde? Ou porque é que as suas botas preferidas estão sempre presentes na lateral direita da sua página de facebook? Será para lhe lembrar que elas aguardam para ser compradas ou porque já há muito tempo havia consultado o preço das mesmas no site oficial da marca?

O que me pergunto agora é se esta nova legislação em torno da Proteção de Dados virá produzir mudanças significativas nesta área, porque engane-se aqueles que pensam que se sentam hoje em frente a um computador e conseguem aceder à Internet sem deixar rasto.

O que seria importante era que todos pudéssemos compreender como devemos agir no nosso dia a dia de forma a impedir que nos tornemos “marionetas” de um sistema que nos oferece soluções à medida dos resultados das análises aos nossos comportamentos, pretendo depois moldá-los consoante os interesses que estiveram em causa, sejam eles sociais, económicos ou até políticos.

Isto numa altura em que aquilo a que assistimos é uma profunda contradição. 
Se por um lado defendemos a aplicação de um Regulamento, tendo em vista a Proteção de Dados, por outro, abrimos o livro das nossas vidas diariamente nas redes sociais. São as nossas ausências em períodos de férias (colocando de pré-aviso os malandros)… Mas também as referências aos hotéis e restaurantes que visitamos… O nosso local de trabalho e, em alguns casos, até o nosso contacto de telefone e email. Não falta nada, nem a pulseira das Urgências do Hospital. Essa é perfeita. Não só diz onde estamos mas também muito mais sobre quem somos.
Em resumo, se não formos os primeiros a pugnar pela defesa da nossa privacidade, nenhum Regulamento deste mundo o fará por nós.