Editorial 29 de novembro de 2018

Fátima Anjos

2018-11-29

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Não há dúvidas de que a visita de um Primeiro-ministro a Vizela é sempre digna de registo. António Costa decidiu fazê-lo para visitar uma das empresas mais prestigiadas do concelho e fê-lo muito bem, até porque é uma das principais empregadoras do concelho.
Mas a verdade é que esperaríamos mais do governante máximo deste país porque mais do que tê-lo a testemunhar o que de bem tem sido feito pelo privado, seria importante que pudesse ver e sentir in loco os problemas vividos pela nossa comunidade e cuja resolução, extravasa as competências municipais, dependendo, por isso, diretamente da sua ação. 

Como teria sido importante que António Costa tivesse tido tempo para conhecer a Zona Ribeirinha de Vizela, o Parque da Termas e até as Termas locais para poder ver “com os próprios olhos” o quanto significará a despoluição do Rio Vizela para a transformação de Vizela num verdadeiro destino turístico, área onde o atual Executivo está a fazer uma maior aposta.

Certamente que olharia com outra atenção para a proposta que a Câmara de Vizela diz ter feito chegar ao Gabinete do Sr. Primeiro-ministro e da qual consta a criação de uma nova conduta, que impeça que o Rio Vizela, pelo menos, no território que afeta este concelho, deixe de padecer das descargas levadas a efeito pela Águas do Norte.

 Como teria sido importante que António Costa tivesse tido tempo para conhecer o acesso que os vizelenses têm disponível para chegar ao nó da auto-estrada, que embora tenha sido batizado de Vizela, se encontra localizado em Felgueiras. Isto porque precisamos urgentemente de um novo acesso. O existente não serve, nem oferece segurança. E também sabemos que a Câmara de Vizela não tem hoje, nem terá no futuro um orçamento que aguente a execução de uma obra daquela magnitude.

Além disso, todos sabemos que as empresas dependem em muito das acessibilidades existentes e também sabemos que a criação deste acesso, há tantos anos reivindicado à Administração Central, seria o impulso necessário à criação de um Parque Industrial em Santo Adrião e, consequentemente, ao crescimento económico do concelho com claras implicações sociais.

Não, António Costa não teve tempo. A agenda do atual Governo tem como prioridade mostrar o crescimento do país. Compreende-se a postura. Mas, de vez em quando, também deveriam sobrar alguns minutos para olharem para aquilo que poderá representar o incremento d a nossa qualidade de vida e que não cresceu assim tanto desde há três anos a esta parte.
As pessoas sabem disso. Sentem-no. Por isso, Srs. Governantes de Lisboa quando passarem por cá novamente, o que deverá acontecer quando houver uma placa para descerrar, não se esqueçam de desviar o olhar da “agenda política” e olharem verdadeiramente para Vizela.