Editorial 11 de abril de 2019

Fátima Anjos

2019-04-11

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Nas últimas semanas temos sido bombardeados com notícias sobre as relações familiares de membros do Governo com várias personalidades nomeadas para desempenhar cargos públicos. Nada que seja novo e que, infelizmente, é transversal a todas as forças políticas, dependendo apenas a escala em função da força que as mesmas detêm nos vários órgãos públicos, dos nacionais até aos locais.

Sabemos que no nosso país, no que respeita aos serviços e às empresas públicas, não há, muitas das vezes, uma cultura de privilegiar o mérito como acontece já em muito do nosso setor privado, daí que os resultados de cada um sejam bem diferentes, com o privado a gerar lucro e o serviço público quase sempre em falência.

Ao mesmo tempo, também não podemos cair na acusação fácil e generalizar, fazendo crer que todos aqueles que são nomeados não prestam e que beneficiam do exercício do seu cargo, apenas por uma questão de berço. Não é assim.
O que está em cima da mesa é “a igualdade de oportunidades”, daí que acredite que uma maior aposta e um alargamento do sistema de contratação pública pudesse vir a minimizar este, não lhe chamo problema, mas antes “vexame nacional”.

Dir-me-ão que em causa estão cargos de confiança política. Respondo: a confiança conquista-se e, muitas das vezes, a sigla do partido ou o parentesco não são, automaticamente e por si só, sinónimo de confiança. Quem lidera uma equipa de trabalho quer confiar, principalmente, que ela é profissional e capaz para desempenhar as suas funções. Esta é a confiança que devemos procurar. 

Agora falam em legislar e eu digo que “a montanha vai parir um rato”, porque não haverá vontade, da maioria, de quebrar este ciclo e continuar-se-á a governar um país como se de uma quinta se tratasse, até que o permitamos.

Em Vizela, a derrota do Partido Socialista nas últimas Eleições Autárquicas deveu-se a vários fatores e um deles foi a divisão da concelhia, dando origem a um movimento independente que acabou por ganhar as eleições. E não tenham dívidas de que uma das ações que mais terá pesado para esta divisão terá sido a escolha feito pelo anterior presidente da Comissão Política, quando indicou o filho para ser candidato pelo Círculo Eleitoral de Braga nas últimas Legislativas. O único vizelense a constar daquela candidatura.

Uma decisão que fraturou a concelhia e que serviu de arma de arremesso na campanha eleitoral. Resultado? O PS perdeu as eleições.
Isto para dizer que, por muito que pareça, o povo não anda a dormir e será sempre soberano a decidir.