Editorial 10 de outubro de 2019

Fátima Anjos

2019-10-10

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Numa altura em que na capital se discute a formação do novo Governo, já pouco haverá a dizer sobre o resultado das Eleições Legislativas do último domingo, cumpre-me apenas fazer votos para que os eleitos pelo Círculo Eleitoral de Braga não se esqueçam de Vizela, agora que a campanha terminou e que se escreverá uma nova história no hemiciclo da Assembleia da República.

As campanhas tendem a circular em demasia em torno dos candidatos a Primeiro Ministro que, muitas da vezes, nos esquecemos que quando exercemos o nosso voto, estamos a eleger, em primeiro lugar, aqueles que vão representar o nosso território, ou seja, aqueles que melhor deverão conhecer as potencialidades mas, também, as dificuldades que lhes estão intrínsecas.

Daí que da noite eleitoral do último domingo destaque dois momentos.

O primeiro facto foi o da CDU não ter conseguido reeleger a deputada Carla Cunha pelo Círculo Eleitoral de Braga. Mas mais do que Braga perder a representação da CDU foi o facto do distrito ter perdido a voz de Carla Cunha na Assembleia da República que, desde 2013, foi dando provas de trabalho feito e de conhecimento sobre a realidade de Vizela, numa política de proximidade mas também de intervenção com a colocação de várias perguntas ao Governo sobre as matérias de maior impacto na vida dos vizelenses.

O segundo reside em outro facto, que também julgo ser de merecida referência, que foi o facto da vizelense Cidália Faria, candidata do PSD, pelo Círculo Eleitoral de Braga, ter ficado a poucos votos de ser eleita deputada para a Assembleia da República. Muito mais do que olhar para siglas, gosto de olhar para as pessoas e para Vizela. Além de Cidália Faria ser a única vizelense que estaria, nestas eleições, em lugar elegível, é alguém que tem tido um percurso coerente e que embora esteja ligada a uma estrutura partidária, tem conseguido, à sua maneira, colocar os interesses de Vizela em primeiro lugar.

E Vizela bem que precisaria de uma, duas ou mais vozes que fizessem ecoar o quanto o concelho precisa que olhem para ele. Não só porque precisa que o Governo possa atuar, no que toca à despoluição do Rio Vizela e à construção de um acesso digno à A11 mas, também, porque continuam a faltar a execução de alguns projetos que são estruturantes e posso citar dois exemplos: a construção de um Pavilhão Municipal (porque os existentes, infelizmente, e apesar do esforço realizado, não dão resposta à dinâmica associativa e desportiva existente no concelho) mas, também, a criação de um Parque Industrial para o acolhimento de empresas potenciadoras de criação de mais emprego e, sobretudo, emprego de qualidade.

Dois projetos que precisam de financiamento da Administração Central ou de enquadramento tendo em vista o recurso a fundos comunitários

Mas Vizela fica tão longe e o exercício da política em Portugal continua tão centralista A ver vamos se será nesta Legislatura que a Regionalização voltará ao centro do debate.

Até lá, um bom fim de semana para todos.