Editorial 09 de novembro de 2017

Fátima Anjos

2017-11-09

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Esta semana, o RVJornal partilha com os seus leitores a iniciativa empreendedora de Pedro Costa que decidiu deixar a posição confortável que detinha já na Holanda como investigador na área da Biofabricação para regressar a Portugal.

Em primeiro dizer que foi com grande satisfação que percebemos que uma das razões que o levou a voltar à sua cidade natal está diretamente relacionada com o troféu alcançado em janeiro deste ano, na IV Gala Rádio Vizela. Depois de sentir o reconhecimento do seu empenho e trabalho na área da Ciência e Investigação e desafiado por um espírito de quem não se acomoda, regressou a Vizela, onde criou já a empresa Biofabics, mas não só. Em Vizela, o agora empreendedor fundou também a Associação Portuguesa de Biofabricação. Esta semana encontra-se em Lisboa a participar no Web Summit. Entre 100 mil empresas, viu a Biofabics entre as 2 mil que foram selecionadas a exporem naquele que já é considerado o maior evento de tecnologia da Europa. Confesso que quando na segunda-feira, liguei a televisão, pela hora do jantar, e vi Pedro Costa ao lado do Primeiro-Ministro António Costa e de Paddy Cosgrave, co-fundador da Web Summit, na abertura oficial do evento, me senti muito orgulhosa. Orgulhosa da gente da nossa terra, que é pequena, mas com gente de muito valor.

Isto só vem provar duas coisas: a importância do reconhecimento do mérito mas também a importância de criar condições para que os nossos jovens se fixem no concelho. Muitas das vezes, estamos a falar de jovens provenientes de uma geração que enfrentou “olhos nos olhos” a crise do início deste século e que se muniu das competências necessárias para dar o salto. Estou em crer que só não o farão em Vizela se não encontrarem condições que permitam que isso seja uma realidade. Ainda há-de chegar o dia em que vou encontrar alguém que esteja emigrado lá fora e que não deseje regressar a Portugal. Esse dia ainda não chegou, porque não há país como o nosso! No dia em que o valor do trabalho seja assumido em Portugal como deveria, compensando o mérito e eliminando as justiças, nomeadamente, as diferenças abruptas entre quem ganha menos e quem ganha mais, teremos de regresso ao nosso país muitos dos nossos emigrantes.

Até lá, vamos esperar que histórias como a de Pedro Costa se possam repetir, uma e outra vez. Nunca serão demais. Mais ainda, devemos aproveitar as suas experiências e conhecimentos para crescermos juntos. Refiro-me, nomeadamente, ao FabLab, mencionado em tempo de campanha eleitoral, pelo Movimento Vizela Sempre, e cujo conceito, depois de ter acedido, por sugestão do próprio Pedro Costa, a alguma informação relativamente aos FabLab que estão a funcionar em Madrid (Espanha) e em Utrecht (Holanda), me parece bastante interessante e, principalmente, bastante útil. Alguns dirão que é “muito à frente para Vizela”, eu diria antes que seria o que Vizela precisaria para se distinguir de outros municípios, motivando a captação e fixação de indústria inovadora no concelho. No Castelo da Ponte? Não sei, a requalificação e reconversão daquele edifício parece-me bastante dispendiosa. Mas um FabLab em Vizela, sim, deveria ser uma aposta.