Editorial 08 de agosto de 2019

Fátima Anjos

2019-08-08

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Pela terceira semana consecutiva, escrevo sobre o Rio Vizela. É sinal de que algo não está bem e isso deveria ser perceptível a todos, inclusive ao Ministério Público que arquivou a queixa-crime encetada contra a “Águas do Norte” e à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) que veio em defesa da ETAR de Serzedo.

Nesta altura, não é possível medir as consequências da tomada de posição do atual Executivo Municipal que anuncia o afastamento do Plano de Ação de Despoluição do Rio Vizela. 

A única certeza que existe é a necessidade de não baixar os braços!

A APA vem dizer que já foram impostas condições mais exigentes à ETAR de Serzedo para minimizar os impactos. No entanto, também diz, que o Rio Vizela “apresenta um caudal muito reduzido em período de estiagem, não tendo a linha de água a capacidade de diluição mínima necessária para que as descargas de águas residuais, mesmo tratadas, não provoquem impacte visual”. Sendo assim, o que há para ser dito? As condições impostas, mesmo sendo mais exigentes, não servem para o Rio Vizela, no período de verão. Terão de ser outras. Há dúvidas?

Isto porque o Ministério Público até pode ter dado a queixa-crime como arquivada com o argumento de que não havia sido provado de que as descargas efetuadas das águas tratadas pela Águas do Norte representariam danos efetivos para o Rio Vizela”, mas terá o mesmo Ministério Público avaliado também o impacto sócio-económico destas mesmas descargas nos territórios que se confrontam diariamente com um rio com um aspeto de terceiro mundo.

Alguém acredita que Vizela  conseguirá alavancar o seu pendor turístico, apresentando como cartão de visita o rio tal e qual como o encontramos diariamente? Não, isso não acontecerá.

Ao mesmo tempo, também tem de ser feito um trabalho no terreno para convencer as empresas que, nesta altura, apresentam soluções individuais de tratamento das águas residuais, a ligarem-se ao Sistema Multimunicipal, de forma a que haja mais garantidas, no que concerne à não concretização de descargas poluentes no Rio Vizela, nomeadamente as que teimam em acontecer nas condutas da Marginal Ribeirinha.

Por tudo isto, repita-se: A única certeza que existe é a necessidade de não baixar os braços! Até, porque todos pagaremos a fatura da inércia!

Uma boa semana para todos! E não se esqueçam: Vizela está prestes a entrar em festa! Aproveitem, muito!