Editorial 06 de junho de 2019

Fátima Anjos

2019-06-06

Partilhe:


“FC Vizela voltou a morrer na praia”, tal e qual. Foi o que aconteceu no último domingo e todos sabíamos que tal poderia acontecer. Todos. Uma das equipas seria obrigada a ver o seu sonho de subida a ficar pelo caminho - o FC Vizela ou o Vilafranquense. E isto deve-se apenas à injustiça de um campeonato que penaliza equipas que fazem uma grande carreira ao longo de toda a época e que depois acabam por ver cair por terra tudo o que fora conquistado num jogo de “mata-mata”.

Este foi o caso do FC Vizela. Mas poderíamos estar a falar do Vilafranquense. Por isso, é difícil de compreender a postura que alguns adeptos, não representando de longe a maioria, para com elementos da SAD, no final do jogo do último domingo. Sabemos que há reações que acontecem a “quente” mas também é preciso parar para pensar naquilo que levou a direção do FC Vizela a decidir formar uma SAD no clube e naquilo que tal medida representou para a instituição vizelense.

Não, o FC Vizela não subiu. Mas o clube continua de pé e as possibilidades de poder aspirar a uma subida na próxima ou noutra qualquer época serão maiores se o clube se encontrar estabilizado do ponto de vista financeiro e com infraestruturas que possam potenciar a prática desportiva.

E se não é assim, estaremos cá dispostos a ouvir, tudo e todos, como sempre.

Hoje fala-se muito em devolver a mística ao FC Vizela… Mas a mística está lá e cada um é livre de a sentir e manifestar à sua maneira. Também não é menos verdade que o mundo de futebol hoje está diferente e que o próprio clube vizelense teve de se adaptar a esta nova realidade, em que a prática do futebol é cada vez mais profissional, o que se reflete no aumento das despesas, ao mesmo tempo que houve um recuo nos apoios ao nível local, nomeadamente dos organismos públicos, apontados no passado como sendo os grandes patrocinadores do futebol sénior.

Agora ainda é tempo de fazer o luto. Mas amanhã já será momento de tomar decisões, sempre com o objetivo de vencer mas, também, tendo sempre presente que perder também faz parte do jogo.

Entretanto, Vizela não pára e já este fim de semana será palco da oitava edição da Feira Romana de Vizela, um dos eventos mais bonitos da cidade e com mais potencialidades, embora saibamos que hoje são muitas as cidades que recuam aos períodos da história que marcam a sua identidade.

O conselho que dou é que desfrutem da nossa Vizela Romana e que deixem as comparações para outra altura. Uma coisa é certa, quando esta sexta-feira sair à rua o primeiro desfile, integrando em toda a sua extensão mais de 1000 crianças, estará presente entre os mais pequenos a ideia de que um dia Vizela foi romana e que muito daquilo que representaram faz parte de uma grande época da história dos seus antepassados.

Até para a semana!